SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — Pilotos, copilotos e comissários da Latam Brasil autorizaram o sindicato que representa os aeronautas a negociar com a empresa uma proposta que vai levar a uma redução permanente nos salários.

A decisão foi tomada na sexta (2), após votação online realizada pelo SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas). Agora, uma proposta deverá ser apresentado ao TST (Tribunal Superior do Trabalho), onde correm as negociações com a companhia aérea.

A redução permanente na remuneração já tinha sido discutida em julho, quando mais de 80% dos tripulantes rejeitaram negociar a proposta.

Na votação encerrada na sexta, segundo o SNA, 65,5% dos comandantes foram favoráveis à negociação. Entre os copilotos, a aprovação ficou em 65,4% e, entre os comissários, de 55,7%.

Nas redes sociais do sindicato dos aeronautas, o anúncio da autorização foi alvo de críticas, que relacionam as 2.700 demissões já feitas pela empresa à resistência dos tripulantes em negociar.

O principal ponto de divergência é a intenção da Latam em tornar permanente uma mudança na forma de cálculo da remuneração, composta por uma parte fixa e outra variável, que resultaria em um valor final menor do que o gerado pelo modelo vigente.

Até então, o sindicato só aceitava que uma redução salarial temporária, por até 18 meses, similar aos acordos fechados com Azul e Gol, sem entrar no mérito das mudanças na forma de cálculo da remuneração.

Segundo o sindicato, a proposta apresentada pela Latam, na época, acarretaria uma redução permanente de até 60% na remuneração de pilotos e copilotos. Os salários ficam entre R$ 12 mil e R$ 25 mil.

À Folha de S.Paulo, em julho, a empresa disse que ajustes no cálculo da remuneração eram necessários para equilibrar seus custos com os das concorrentes.

Em nota, a Latam Brasil afirmou considerar positivo o resultado da assembleia e disse já ter feito contato com o SNA para iniciar as negociações para um novo modelo de remuneração dos tripulantes.

“O avanço deste processo é fundamental para o diálogo conjunto e em prol da competitividade das operações e da continuidade das oportunidades de emprego da companhia”, disse a empresa.

O SNA não respondeu às tentativas de contato da reportagem.

A Latam Brasil anunciou em julho o pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. Em maio, o grupo Latam já havia feito o mesmo, mas, na época, não havia incluídos as filiais argentina, brasileira e paraguaia.

Em todo o mundo, a redução brusca de viagens durante a pandemia deixou um rombo no caixa das empresas. No início da crise, a Latam Brasil era a companhia com mais voos internacionais.

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