O padre Robson foi alvo de críticas de outro membro da Igreja Católica pela suspeita de elo com desvios da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), responsável pela Basílica de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Em vídeo que circula nas redes sociais, Dom Sílvio Dutra, bispo da Diocese de Vacaria (RS), diz que os religiosos não foram “feitos para dinheiro, nem para fortunas” e alegou que, apesar das denúncias ainda não terem sido comprovadas, “onde há fumaça, pode ser, com muita certeza, que haja fogo”.

O G1 entrou em contato com a defesa do padre Robson por mensagem, às 9h56 deste domingo (6), e aguarda retorno.

O vídeo foi feito no dia 26 de agosto, cinco dias após ser deflagrada a Operação Vendilhões, que apura as irregularidades, mas só agora passou a viralizar na rede.

Fundador da Afipe, padre Robson se afastou temporariamente da presidência da entidade e da reitoria da Basílica. De acordo com as investigações, ele administrava R$ 20 milhões mensais de doações de fiéis e é suspeito de usar o dinheiro para fins não religiosos, como a compra de uma casa da praia e ao menos 50 fazendas. Ele sempre negou qualquer irregularidade.

No vídeo, Dutra afirma que, embora as denúncias não estejam confirmadas, há suspeição de que as irregularidades tenham ocorrido. Ele menciona ainda o sino milionário adquirido pela Afipe para ser instalado na nova Basílica que está sendo construída e principal mote para o pedido de doações da entidade.

“Estamos numa semana dolorosa para a Igreja Católica. Porque essas denúncias em torno do padre Robson, que ainda não estão comprovadas, mas tem uma expressão em latim que diz ‘fumus delicti’, que é onde há fumaça, pode ser, com muita certeza, que haja fogo”, afirma.

“Infelizmente, há sinais de que as coisas não estão bem. Nós não fomos feitos para dinheiro, nem para fortunas. Jesus não precisa de mega templos, não precisa de um sino de R$ 6 milhões. Jesus não pede isso em nenhum momento. Mas nós caímos na tentação da aparência e aí convencemos as pessoas”, completa.

Ele ainda afirmou que vários idosos se esforçam para ajudar a igreja financeiramente, mas que esse não é o foco da religião.

“Fiquei imaginando a minha mãezinha lá com 87 anos e quantos idosos piedosos que ficam lá mandando seu dinheiro. Eu tenho, em outras ocasiões, falado da minha angústia com isso, dos gurus da nossa igreja. Nossa igreja deixou de ser de comunidade e passou a ser uma igreja de guru”, avalia.

“É dinheiro e mais dinheiro que é mandado para lá e para cá e as comunidades padecendo. É um desvio. E talvez esse escândalo, que está aí para ser confirmado, possa ser uma ação do Espírito Santo para dizer: ‘Não é essa igreja que eu quero”, pontua.

‘Podridões’

O bispo fez ainda uma reflexão sobre o atual momento da religião, incluindo uma crítica ao próprio catolicismo. Afirmou que o que vale não é a aparência e que o mundo hoje passa por um estágio de hipocrisia.

“Vivemos hoje, de fato, uma pandemia de farisaísmo. Lideranças religiosas e políticas se apresentam como defensores de valores cristãos, mas no fundo, guardam podridões. Nós católicos não somos a igreja perfeita que olha para o erro dos outros. Nós nos escandalizamos com os erros dos outros e com o nosso mais ainda, porque temos a pretensão de indicar caminhos para a sociedade”, destaca.

O religioso destacou também que não quer uma igreja midiática e que “o lugar dos padres não é o palco”, mas sim o altar e que devem agir para o serviço do irmão e a caridade: “Mas a empolgação, a vaidade e o dinheiro, a ganância e a tentação do dinheiro, tem distorcido”.

Dutra comentou, sem citar nomes, os casos de João de Deus, líder espírita acusado de diversos crimes sexuais, e da deputada Flordelis, pastora evangélica acusada de mandar marido.

“Para a tristeza da religião em geral, nós estamos assistindo uma crise com uma pessoa ligada ao espiritismo, que parecia um homem de Deus e está aí agora com um monte de denúncias, uma pastora evangélica que, aparece que comprovadamente manda matar o marido, e ainda com argumento de que se fosse divorciar, escandalizaria o nome de Deus. Então matou. Parece que matar é menos que separar”, conclui.

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