Apontado como um ‘exemplo’ no enfrentamento ao coronavírus, a Coreia do Sul viu um surto da doença se espalhar por todas as 17 províncias do país pela primeira vez. A fonte seria uma igreja cristã presbiteriana de direita que não acredita na pandemia.

Com isso, o país está à beira de um novo surto nacional, e o total de infectados aumenta na casa das centenas diariamente, de acordo com as autoridades locais.

A luta da Coreia do Sul contra a Covid-19 começou em fevereiro, após um surto em um culto da Igreja de Jesus de Shincheonji, na cidade de Daegu, cerca de 200 quilômetros ao sul de Seul. Dentro de semanas, estava sob controle.

Uma das maiores preocupações é que muitos dos fieis da igreja presbiteriana potencialmente infectados acreditam que o vírus foi plantado como parte de uma conspiração para confinar a população do país. Além disso, de acordo com a BBC, os membros infectados da igreja Shincheonji eram em sua maioria jovens — na casa dos 20 anos. Mas o surto atual está afetando uma faixa etária muito mais velha. Muitos se recusam a ser contatados, quanto mais testados.

Os membros da Igreja Sarang Jeil (“O amor vem primeiro”, em tradução livre para o português), são conservadores de direita e acusam o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, de ser comunista, fantoche da China e da Coreia do Norte.

Antes do surto do coronavírus, eles se reuniam às centenas no centro de Seul todos os sábados, fazendo barulho e marchando em frente ao palácio presidencial para denunciar o líder sul-coreano.

Um dos pastores da igreja, Lee Hae-suk, disse à agência de notícias Reuters na semana passada — depois de ser diagnosticada com o vírus — que a Covid-19 era um complô para “matar a Igreja Sarang Jeil aumentando o número de casos confirmados”.

Quando questionada sobre quem acreditava estar por trás da “trama”, ela disse: “Moon Jae-in”.

O líder da igreja, o polêmico pastor Jun Kwang-hoon, emitiu um comunicado no YouTube alegando ter “cinco informações diferentes de que havia um vírus terrorista que se infiltrou na Igreja Sarang Jeil”.

Outros membros alegaram que o coronavírus foi espalhado por frascos contaminados de desinfetante para as mãos. Em uma entrevista coletiva na semana passada, um porta-voz da igreja afirmou que simpatizantes pró-Coreia do Norte se infiltraram na igreja e espalharam o vírus deliberadamente.

As teorias da conspiração representam um desafio para os rastreadores de contato da Coreia do Sul. No total, mais de 875 membros testaram positivo até agora, mas as autoridades de saúde dizem acreditar que centenas de outros podem estar infectados e espalhando a Covid-19 para outras pessoas.

Cerca de 200 pessoas foram diagnosticadas com o vírus após os membros da Igreja participaram de uma grande manifestação em 15 de agosto no centro de Seul junto com dezenas de milhares de outras pessoas, a maioria das quais tinha mais de 50 anos.

O governo disse que pediu à igreja uma lista completa dos membros que compareceram, mas não obtiveram a informação.

Isso levou a polícia a pedir à Justiça um mandado de busca e apreensão na noite de sexta-feira (21/08). De posse do documento, as autoridades conseguiram ter acesso à sede da igreja para encontrar uma lista completa de nomes de membros e tentar contatá-los. A igreja nega as acusações.

“A Igreja Sarang Jeil e o pastor Jun Kwang-hoon cumpriram as atuais medidas de prevenção do governo”, disse o advogado Kang Yeon-jae. “Fechamos a igreja assim que houve um caso confirmado. Dissemos a todos os membros para não irem à igreja e fazerem o teste do vírus.”

Mas a mídia local mostrou imagens do que afirma ser membros da igreja gritando e xingando os rastreadores de contato.

Enquanto isso, o vírus continua a se espalhar, inclusive entre sete policiais que trabalharam durante o comício de 15 de agosto para manter a ordem.

Igrejas de todo o país foram instadas a realizar cultos online no domingo (23), mas o governo da cidade de Seul disse que 17 delas não cumpriram a medida.

O presidente sul-coreano pediu que aqueles que obstruem deliberadamente as medidas antivírus sejam penalizados, incluindo quem conduza “campanhas de desinformação total”.

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