São Paulo, 14/8/2020 – Roraima voltou ao topo da lista de Estados com pior desempenho no combate à pandemia de coronavírus entre as 27 unidades federativas, conforme o Ranking Covid-19 dos Estados, desenvolvido pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e publicado com exclusividade pelo Broadcast. Na sequência, aparece o Centro-Oeste em peso: Distrito Federal, que há duas semanas liderava o ranking, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na outra ponta, o Maranhão segue com a melhor atuação no combate à covid-19, seguido de Acre, Amapá, Espírito Santo e Paraíba.

O ranking foi criado com o propósito de mitigar as perdas de competitividade dos Estados perante à doença, a partir de uma análise comparativa entre eles. Quanto maior a nota final, pior é o desempenho dos Estados no enfrentamento à pandemia.

Atualizada na terça-feira (11), esta edição do levantamento ainda traz um alerta geral: pela primeira vez desde o início do ranking, no começo de abril, a taxa de mortalidade média do Brasil avançou ante a divulgação anterior, de 2,99% para 3,59% – porcentual equivalente à pesquisa de 17 de junho. “O Brasil está começando a regredir. As coisas já estão funcionando normalmente, ao mesmo tempo em que a situação está piorando”, afirma o Head de Competitividade do CLP, José Henrique Nascimento.

Outro dado do ranking que corrobora a preocupação é que número de vítimas fatais por coronavírus registrados pelo País na data (103.026) superou a projeção feita pelo CLP há duas semanas, o que não ocorria desde maio. “Em junho e julho, nossas estimativas sempre ficavam acima do dado oficial de mortes. Agora, voltamos a errar para baixo. Nossa previsão, baseada na sazonalidade e em períodos anteriores, era de 100.997”, frisa Nascimento. “Sem dúvida, é um sinal de alerta”, corrobora Daniel Duque, Head de Inteligência Técnica do CLP. Atualmente, a projeção é que o País ultrapasse 120 mil mortes no dia 25.

Roraima lidera entre os Estados com a pior atuação contra o coronavírus, segundo o CLP, devido à alta proporção de casos por milhão de habitantes (pmh), e dois fatores que estão interligados: a elevada mortalidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de 76,92%, e a baixa transparência, que são forte indício de subnotificação por covid-19.

Mas os Estados do Centro-Oeste estão no centro da preocupação do CLP, com insistência nas primeiras posições e a evolução crescente da doença. Todos os entes federativos da região mostraram avanço de casos de Covid-19 mais significativo do que a média brasileira na última semana, que desacelerou de 28% para 23%. Contrariando a tendência de desaceleração do crescimento de infectados no País, o destaque negativo é Goiás, em que o número de contaminados acelerou de 40% para 53%. Além disso, a evolução (em escala logarítmica) segue como a maior do País e a taxa de mortalidade subiu de 2,48% para 3,64%, ultrapassando a média nacional.

“O governador é médico [Ronaldo Caiado, do DEM], teve toda uma repercussão da qualidade do seu trabalho no início. É momento de retomar essa postura de médico e se atentar para a situação da saúde no Estado. Não dá para desistir agora. Os hospitais estão lotados. É o Estado que chama mais atenção no momento”, defende Nascimento.

A situação do Sul do País também pede atenção, diz o CLP, principalmente do Rio Grande do Sul, que vem ganhando colocações no ranking semana após semana e apareceu na sexta posição no levantamento fechado no dia 11. “O Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado que usou faixas isolamento e os dados para tomar decisões sobre a doença, mas essas faixas de isolamento estão sendo judicializadas pelos municípios e o Estado está abrindo mão. É um alerta laranja para o Estado.”

A taxa de mortalidade por Covid-19 no Rio Grande do Sul subiu de 2,65% para 4,01%, nas últimas duas semanas, se situando agora acima da média brasileira. Da mesma forma, a letalidade por SRAG aumentou, de 11,86% para 14,55%, a quarta maior do País.

O que dizem os Estados

Por meio de nota, o governador do Maranhão, Flávio Dino, disse que o Estado mantém o foco e a prioridade no combate ao coronavírus, sobretudo cuidando das medidas preventivas, como a obrigatoriedade do uso de máscaras, a mobilização da rede assistencial mobilizada em todas as regiões maranhenses. “Esses bons resultados animam a nossa equipe no trabalho diário.”

Já o secretário de Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, afirmou que a articulação de todas as secretarias de Estado e também o diálogo com os municípios e outras instituições capixabas, além da transparência, foi fundamental para o Estado conseguir achatar a curva de casos de Covid-19. “Conseguimos responder com a redução de risco da pandemia, já passamos por o pior momento e o Estado não colapsou em nenhum momento.”

O secretário de Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino Jr., disse que, devido às medidas tomadas no início da pandemia, a ascensão da curva de casos de coronavírus no Estado foi mais tardia em relação aos demais, traduzindo-se em um momento “mais crítico” atualmente. O secretário reconhece que o número de contaminados por covid-19 vem crescendo rapidamente no Estado, o que, segundo ele, pode estar parcialmente relacionado à maior testagem da população, e que a taxa de letalidade tem diminuído. O Estado, conforme Alexandrino Jr., não está cogitando nova rodada de isolamento social horizontal, uma vez que população, segundo ele, não adere mais. “Não é banalizar o isolamento social. A sociedade goiana não compra mais essa ideia e não adere. Então não adianta a gente ficar defendendo algo que, na prática, não está funcionando. É menos pior que os estabelecimentos estejam abertos, seguindo protocolos, do que abrir ‘pelos fundos’.” O secretário disse, contudo, que, em parceria com programas patrocinados pela iniciativa privada, o Estado pretende testar mais e monitorar os contaminados e pessoas próximas.

Os outros Estados citados não responderam os contatos da reportagem.

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