Em mensagem no Facebook, o presidente republicou uma reportagem do tabloide britânico Daily Mail que cita números oficiais para argumentar que o ‘lockdown’ matou duas pessoas a cada três que morreram por covid-19, entre 23 de março e 1º de maio. De acordo com a publicação, 16 mil britânicos morreram no período por não terem tido acesso a serviços de saúde, enquanto a covid-19 matou 25 mil pessoas no mesmo intervalo.

O Daily Mail foi banido de ser usado como referência na Wikipedia em 2017. Segundo o fundador da enciclopédia colaborativa, Jimmy Wales, Wales, o veículo não seria uma fonte confiável.

“Conclui-se que o ‘lockdown’ matou duas pessoas para cada três de Covid no Reino Unido. No Brasil, mesmo ainda sem dados oficiais, os números não seriam muito diferentes”, escreveu Bolsonaro, que desde o início da crise se colocou como um crítico de medidas restritivas adotadas por governadores para tentar conter a curva de contaminação.

O presidente também se destacou de outros líderes internacionais por ter minimizado os impactos da pandemia e provocado aglomerações –muitas vezes sem máscara de proteção facial – mesmo quando alertado por especialistas que o isolamento era fundamental para reduzir o número de novos casos e, até mesmo após contaminado, fez passeios de moto.

De acordo com o consórcio formado por veículos de imprensa, o Brasil se consolidou como um dos epicentros da transmissão do vírus no mundo e beira os 3 milhões de casos registrados.

Criticado por não ter manifestado pesar pelos 100 mil mortos no sábado, Bolsonaro disse neste domingo que lamenta “cada morte, seja qual for a sua causa, como a dos três bravos policiais militares executados em São Paulo”. Os policiais citados foram mortos após abordagem por um homem que se apresentou falsamente como policial civil.

“Quanto à pandemia, não faltaram recursos, equipamentos e medicamentos para estados e municípios. Não se tem notícias, ou seriam raras, de filas em hospitais por falta de leitos UTIs [Unidades de Terapia Intensiva] ou respiradores”, continuou Bolsonaro, na mesma mensagem no Facebook.

De acordo com o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado em 22 de julho, o Ministério da Saúde gastou somente 29% do dinheiro que recebeu para as ações de combate ao coronavírus.

Bolsonaro concluiu sua publicação investindo contra a TV Globo. Ele não citou a emissora nominalmente, mas referiu-se a ela como “aquela grande rede de TV que só espalhou o pânico na população e a discórdia entre os Poderes”.

“No mais, essa mesma rede de TV desdenhou, debochou e desestimulou o uso da hidroxicloroquina que, mesmo não tendo ainda comprovação científica, salvou a minha vida e, como relatos, a de milhares de brasileiros”, escreveu Bolsonaro, que anunciou no dia 7 de julho ter sido contaminado pelo coronavírus.

O presidente ignorou o estudo brasileiro nomeado Coalizão COVID-19 Brasil, feito em conjunto por alguns dos principais hospitais do país, que apresentou os resultados de análises de medicamentos contra o novo coronavírus, entre eles, a hidroxicloroquina. O estudo, divulgado em 23 de julho, aponta que o uso de hidroxicloquina, sozinha ou associada com azitromicina, não mostrou efeito favorável na evolução clínica de pacientes adultos hospitalizados com formas leves ou moderadas de covid-19

Bolsonaro se recuperou sem sentir maiores sintomas e diz ter sido medicado com a hidroxicloroquina, que possui estudos que apontam para o risco de efeitos colaterais relacionados ao uso da droga.

Bolsonaro escreveu ainda que a “desinformação mata mais até que o próprio vírus” e acusou a Globo de fazer uso político da pandemia, sugerindo que a TV seria responsável por mortes que poderiam ter sido evitadas.

A Globo tem dado grande destaque para a crise da Covid-19 em sua cobertura jornalística, ressaltando as recomendações de distanciamento social emitidas por diversos especialistas e pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e dando espaçoem seu noticiário para contar as histórias de vítimas da pandemia.

Por último, também sem citá-la nominalmente, Bolsonaro afirmou que a rede de televisão festejou o marco dos 100 mil mortos na sua edição do Jornal Nacional: “De forma covarde e desrespeitosa aos 100 mil brasileiros mortos, essa TV festejou essa data no dia de ontem, como uma verdadeira final da Copa do Mundo, culpando o presidente da República por todos os óbitos”, afirmou.

Na edição de sábado do Jornal Nacional, um editorial lido pelos apresentadores destacou que o direito à saúde é previsto na Constituição, mas que, mesmo em meio à pandemia, o país permanece sem um ministro da Saúde titular.

O telejornal também lembrou diversas declarações minimizando a doença feitas por Bolsonaro –como quando ele reagiu com um ‘E daí?’ ao ser questionado sobre a avanço de mortes no país– e concluiu o editorial questionando os telespectadores se o presidente e outras autoridades cumpriram com o dever de garantir acesso à saúde para a população.

– No Reino Unido, o Departamento de Saúde estima que 16 mil pessoas morreram das mais diversas formas, por não terem…

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