De março a julho o setor privado demitiu 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Brasil. Os números foram constatados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As demissões foram agravadas devido os efeitos da pandemia do novo coronavírus no Mundo.

Segundo a pesquisa, o país termina o segundo trimestre de 2020 com taxa de desemprego de 13,3%, maior do que o trimestre anterior, quando era de 12,2%. A quantidade de desocupados, atingindo 12,8 milhões, ficou estável em relação ao trimestre anterior, que chegou a 12,9 milhões. Isso ocorreu porque os trabalhadores desistiram de procurar emprego durante a pandemia.

De acordo com o levantamento, o número de pessoas ocupadas caiu 9,6% no período, ou seja, uma redução de 8,9 milhões. Como isso, a população total ocupada no Brasil recuou para 83,3 milhões de trabalhadores. Comparado a 2019, esse total aponta 10,5 milhões a menos.

Segundo o IBGE, a população que está sem emprego, cerca de 77,8 milhões de pessoas, também é a maior da série, iniciada em 2012. Subiu 15,6% (mais 10,5 milhões de pessoas) em relação a março e aumentou 20,1% (mais 13 milhões) frente a igual trimestre de 2019.

Sem surpresa

Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas e ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, o futuro do país será sombrio, se governo e iniciativa privada não investirem em setores intensivos em mão de obra. “O que vai fazer a economia andar não é o gasto corrente com auxílio emergencial, nesse momento de carência extrema. A economia tem que ser reativada de maneira sistêmica”, afirma. O primeiro ponto, para o governo, é resolver o rombo na Previdência (no total de R$ 318,4 bilhões, sendo R$ 213,3 bilhões do setor privado e R$ 53,3 bilhões, dos servidores públicos), diz.

“É hora de todos investirem, por exemplo, no setor de infraestrutura. Pesquisei 70 projetos de concessão e constatei R$ 44 bilhões de oportunidades. Seria uma saída para estancar o aumento do desemprego”, afirma Velloso.

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