As produção industrial brasileira avançou 8,9% em junho, na comparação com maio, segundo divulgou nesta terça-feira (4) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já em relação a junho de 2019, houve recuo de 9%.

Essa foi a segunda alta seguida da indústria, mas ainda insuficiente para reverter a perda de 26,6%, acumulada pelo setor nos meses de março e abril, quando o setor atingiu o nível mais baixo já registrado no país em meio à pandemia de coronavírus.

“Embora tenha crescido numa magnitude importante, acumulando expansão de 17,9% nos meses de maio e junho, a produção industrial ainda está longe de eliminar a perda concentrada nos meses de março e de abril. O saldo negativo desses quatro meses é bastante relevante (-13,5%)”, destacou o gerente da pesquisa, André Macedo.

Produção industrial mensal — Foto: Economia G1

Produção industrial mensal — Foto: Economia G1

O resultado veio um pouco melhor do que o esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de alta de 7,7% na variação mensal e de queda de 10,2% na base anual.

Mesmo com o desempenho positivo em junho, a indústria ainda está 27,7% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011 e acumula uma perda de 13,5% na pandemia.

O resultado de maio foi revisado pelo IBGE para uma alta de 8,2%, ante leitura inicial de crescimento de 7%. Já o tombo recorde de abril foi revisado para uma queda ainda mais profunda, de 19,2%.

Produção de veículos alta 70% e puxa alta

Dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE, 24 registraram avanço em junho. O destaque foi a produção de veículos, que avançou 70% ante maio, puxado, principalmente, por carros e caminhões, impulsionada pelo retorno à produção de unidades paralisadas por causa da pandemia. Com o salto, a categoria acumulou alta de 495,2% em dois meses consecutivos de crescimento, mas ainda se encontra 53,7% abaixo do patamar de fevereiro último.

Também contribuíram para o resultado do mês os segmentos de bebidas (19,3%), de indústrias extrativas (5,5%), de produtos de borracha e de material plástico (17,3%), de outros equipamentos de transporte (141,9%), de produtos de minerais não-metálicos (16,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (24,4%), de outros produtos químicos (7,1%), de máquinas e equipamentos (10,6%), de produtos de metal (13,1%), de produtos têxteis (34,2%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (15,1%), de impressão e reprodução de gravações (63,4%) e de móveis (28,5%).

Produção recua 19,4% no 2º trimestre, queda mais intensa da série

Com o resultado de junho, o setor industrial recuou 19,4% no segundo trimestre e registrou a queda mais intensa desde o início da série histórica, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, mantendo a trajetória predominantemente descendente iniciada no final de 2019.

No acumulado do primeiro semestre, caiu 10,9%, e em 12 meses, recuou 5,6%, queda mais elevada desde dezembro de 2016 (-6,4%).

Pandemia e perspectivas

Depois do forte tombo em março e abril, em meio às medidas de isolamento social, a economia tem mostrado sinais de recuperação, mas a incerteza permanece elevada diante do número ainda elevado de casos de coronavírus e elevado desemprego.

A pesquisa Focus mais recente do Banco Central mostra que a expectativa do mercado é de retração de 5,66% para a economia brasileira este ano. Essa foi a quinta semana seguida de melhora do indicador. Já a projeção para o tombo da produção industrial em 2020 foi piorada para uma queda de 7,92%.

A confiança da indústria brasileira voltou a subir em julho, segundo o indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV), mas ainda segue longe do patamar pré-pandemia. A alta, de 12,2 pontos, foi a segunda maior variação positiva da série histórica do indicador, que atingiu 89,8 pontos – ainda abaixo do pico, de 101,4 pontos.

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