O fechamento de vagas de trabalho ficou abaixo do esperado em junho – mas isso não significa que o mercado de trabalho tenha absorvido os efeitos da pandemia do novo coronavírus. A opinião é de quatro economistas consultados pelo G1 a respeito do resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para o mês de junho.

Segundo a Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, o Brasil perdeu apenas 10,9 mil vagas formais de trabalho no mês passado, contra projeções que davam conta de um corte de 10 vezes mais postos de trabalho. Ainda assim, o semestre fechou com recorde de 1,2 milhão de postos eliminados durante a crise.

Os números de desemprego também ficaram aquém do esperado. A taxa oficial de desemprego no Brasil subiu para 12,9% no trimestre encerrado em maio, atingindo 12,7 milhões de pessoas, com um fechamento de 7,8 milhões de postos de trabalho em relação ao trimestre anterior.

A desaceleração do Caged de junho, contudo, tem o apoio de programas governamentais com data para terminar. Soma-se a isso o efeito do Auxílio Emergencial, que compensou as perdas na massa salarial da população.

Influências positivas

Segundo os economistas ouvidos pelo G1, os números de junho foram beneficiados por três fatores:

  • Primeiro, os especialistas observam sucesso do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), que permite a suspensão do contrato ou redução da jornada de trabalho para que o empresário evite demissões. Foram 15 milhões de acordos firmados, números que poderiam ter sido despejados nos dados de desemprego.
  • Segundo, parte do setor de serviços ainda funciona com limitações. De portas fechadas (ou apenas entreabertas) por conta das medidas de isolamento social para combate do vírus, trabalhadores que perderam o emprego ainda não se dispuseram ou não vislumbram oportunidades para procurar uma nova vaga. Pela metodologia de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só é considerado desempregado o indivíduo sem ocupação e que tenha procurado trabalho no último mês.
  • terceiro fator é o Auxílio Emergencial. Com a renda extra transferida pelo governo, há quem prefira se preservar da procura por emprego ou faça bicos informais para não perder o benefício. Para muitos trabalhadores de baixa renda, o benefício não só compensa o salário recebido pelo trabalho, como por vezes ultrapassa o montante.
  • Problemas à vista

    O grande gargalo para o futuro do mercado de trabalho é que todos os fatores que geram benefícios nos últimos meses têm data para acabar.

    Cessados os repasses do Auxílio Emergencial e feita a reabertura da economia quando os números da pandemia permitirem, a busca por emprego deve subir imediatamente.

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