A reunião virtual do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal da Paraíba em que foi discutida a implantação de aulas remotas em todo o período 2020.1 foi suspensa nesta segunda-feira (27) sem definição do assunto. A pauta será retomada na próxima segunda-feira (3), segundo informações da assessoria de imprensa da UFPB ao ClickPB.

Ainda de acordo com a UFPB, durante a semana, o impasse sobre as aulas remotas em todo o período letivo será discutido com estudantes e professores.

O Sindicato dos Professores da UFPB (Adufpb) questionou que houve falhas durante a fase de conclusão do período 2019.2 e no período suplementar, disponibilizado antes do início do período letivo 2020.1. O sindicato aponta que há dificuldade de permanência e acesso dos estudantes às aulas virtuais e que os professores estão usando recursos próprios para ministrar essas aulas remotas.

No começo de julho, a ADUFPB emitiu nota em que discute a aplicação do ensino remoto. O sindicato propõe que seja lançado mais um período suplementar para que sejam testadas as soluções que devem ser dadas aos problemas já encontrados na conclusão do 2019.2 e na primeira etapa de período suplementar. Esse período foi ofertado com aulas não obrigatórias que serão somadas aos currículos dos alunos que se dispuseram a participar dos workshops e de outros conteúdos oferecidos.

Leia a nota oficial divulgada pela ADUFPB

NOTA – Período 2020.1: ainda não é tempo

À medida que o Período Letivo Especial (2019.4) vai tendo transcurso e se aproximando do término e, par e passo, a Administração Superior da nossa instituição vem se manifestando publicamente, a nosso ver, de forma açodada, ao arrepio do necessário posicionamento prévio das instâncias deliberativas, sobre o início e o funcionamento do período letivo regular 2020.1, a Diretoria da ADUFPB, em sua condição de direção política do movimento docente, vinculado ao ANDES-SN na UFPB, vem apresentar à comunidade universitária considerações que julga pertinentes para os debates, as decisões e a respectiva implementação de medidas a serem adotadas ao término desse período suplementar.

Em primeiro lugar, é preciso destacar a natureza profundamente contraditória do ambiente em que se desenvolvem o debate e a busca de soluções para a continuidade das atividades acadêmicas durante a crise pandêmica. Por um lado, a situação atual, de severas restrições a atitudes e a hábitos característicos do que entendemos por normalidade, ainda irá se prolongar por médio ou mesmo longo prazo. Pensamos que ninguém, em sã consciência, acredita que a suspensão dessas restrições, características e caracterizadoras de uma excepcionalidade, dar-se-á no curto prazo. A reversão da atual situação, com a consequente restauração da normalidade (nova ou não), deve ser esperada com uma boa dose de paciência. Por outro lado, o extenso intervalo previsto pode nos conduzir, inadvertidamente, a uma tendência de aceitar como normalidade aquilo que estamos vivenciando no presente. No entanto, sem qualquer sombra de dúvida, o momento atual deve ser absorvido como uma excepcionalidade. É preciso deixar muito claro que, embora estejamos transitando no terreno movediço dessa dualidade, o que estamos vivendo é uma situação excepcional de longa duração e não uma nova – e mais precária ainda do que já era a anterior – normalidade!

Nessa perspectiva, em que pesem diferenças entre nossas proposições para o período letivo em curso e o que foi de fato concretizado, a leitura que fazemos das atividades didático-pedagógicas que estão sendo desenvolvidas é a de um laboratório, no qual, ao identificarmos as imperfeições/falhas nos trabalhos realizados, vamos tentar formular soluções que possam, enquanto durar a situação de exceção que estamos vivendo, assegurar, em nossa universidade, um padrão de qualidade indispensável ao compromisso institucional que deve ser preservado pela UFPB na oferta do Ensino, assim como na Pesquisa e na Extensão.

Isso posto, cumpre reconhecer que as imperfeições/falhas no/do período-laboratório têm sido muitas e de ordens diversificadas. Com o intuito de ressaltar aquelas que consideramos mais sérias, mas sem qualquer pretensão de esgotá-las, apresentaremos, na sequência, um conjunto de temas que nos parecem bastante representativos.

A questão dos impedimentos do acesso e da permanência do alunado nas atividades, originada por um complexo conjunto de fatores, tem se apresentado dramática. Para além de uma participação inicial abaixo da desejada, conforme ficou evidenciado pelo resultado da matrícula, o decréscimo do número de estudantes nas atividades, ao longo do período, é patente.

A dificuldade, para um grande número de docentes, de atuar com sucesso nas sistemáticas didático-pedagógicas adotadas nas atividades de ensino remoto é claramente perceptível. Em que pesem as inquestionáveis boas intenções e os esforços dos ministrantes dos cursos preparatórios para as novas sistemáticas/modalidades/metodologias/tecnologias, a capacitação pretendida, lamentavelmente, não foi atingida no patamar desejado, longe disso.

A questão da utilização, pelos docentes, de recursos materiais próprios, em sentido amplo, frente à ausência, pura e simples, da disponibilização deles pela instituição, também é um fator preocupante, ainda mais tendo em vista os exíguos limites das condições de trabalho dos docentes e da infraestrutura para o desenvolvimento do ensino remoto. Principalmente, e acima de qualquer coisa, porque a garantia das condições de aprendizado, para os estudantes, e das de trabalho, para os docentes e servidores técnico-administrativos, são atribuições precípuas da instituição.

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