Adeputada Bia Kicis (PSL-DF) mostrou-se chateada com a decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de retirá-la da vice-liderança do governo na Câmara, após seu voto contrário à aprovação do novo fundo de financiamento da educação básica, o Fundeb, na noite de terça-feira (21/7). Em entrevista ao blog bolsonarista Terça Livre, a parlamentar, uma das mais fiéis aliadas do presidente, disse que quem perde mais com sua saída é o próprio governo.

“O governo perde muito, porque vai ser difícil ter uma vice-líder que lute tanto pelo governo como eu luto. É isso. Fiquei triste mais com a forma como aconteceu do que pela minha saída, em si. O governo perde muito mais do que eu”, queixou-se a deputada, ainda que tenha garantido continuar apoiando o governo nas votações.

“Irmãzinha”

Bia Kicis lamentou a postura de Bolsonaro de não falar diretamente com ela sobre a destituição do cargo de articulação na Câmara e argumentou que o próprio presidente a trata com proximidade.

“Eu poderia ser destituída se o Bolsonaro acha que não devo mais permanecer, mas eu acho que podia ter me dado uma ligada. Porque ele fala assim: ‘Pô, Bia, você é minha irmãzinha’. Quantas vezes eu ouvi ‘você é minha irmãzinha’. Quantas vezes ele fez coisas das quais eu discordei, mas que não eram coisas imorais ou ilegais? (Pensava) não, ele tinha uma atitude com a qual eu discordava, mas tudo bem, a gente resolve conversando. Então, eu fiquei surpresa com a atitude, que eu sei que não partiu dele. Mas ele assinou, lamentavelmente”, disse a deputada na entrevista.

Durante todo processo de discussão do Fundeb, o governo se manteve alheio às decisões da Câmara, e apenas na última semana, decidiu propor, entre alguns pontos, o adiamento das regras que definem os percentuais de cada ente federado no fundo. O governo trabalhou até o último momento para a não aprovação da emenda constitucional, mas, no fim, resignou-se a apoiar a aprovação, em troca do apoio ao Centrão às propostas tributárias apresentadas pelo ministro Paulo Guedes.

Somente no fim da votação de terça-feira o líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO) mudou a orientação para voto sim. Bia Kicis e mais seis deputados bolsonaristas da ala mais radical do PSL mantiveram o voto contrário. No dia seguinte, quarta-feira (22/7), o próprio presidente e Vitor Hugo passaram a tentar reverter o desgaste de imagem por terem se colocado contra a aprovação do fundo com declarações nas redes sociais de que o governo apoiava a proposta.

Foi nesse contexto que a dispensa da deputada foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Ela só ficou sabendo da decisão pela imprensa. “Não foi fácil para mim votar contra a orientação do governo. Até tentei votar a favor, mas não consegui. Foi sofrido, mas fiz o que minha consciência pediu.”

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