Ministério da Saúde não irá renovar o financiamento da Epicovid, pesquisa que analisa a prevalência do coronavírus na população brasileira, coordenada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Conforme o reitor da universidade, Pedro Hallal, o contrato inicial previa as três primeiras fases, que foram concluídas no início deste mês. Depois disso, a pasta não demonstrou interesse em avançar para novas etapas do estudo.

“Completamos as três fases, o projeto foi concluído. O que o Ministério poderia fazer, que seria razoável, era continuar e fazer mais fases da pesquisa. Infelizmente parece que o Ministério não está interessado, porque não nos procurou mais. Embora a gente tenha manifestado o quanto era importante seguir em mais fases da pesquisa”, explica Hallal.

G1 entrou em contato com o Ministério da Saúde, mas até a publicação desta matéria não teve retorno. Entretanto, no dia 2 de julho, o governo divulgou que o levantamento, considerando a maior pesquisa sobre a Covid-19 no país, havia sido concluída.

A UFPel, agora, busca novas formas de financiamento para dar sequência às próximas fases da Epicovid. Conforme Hallal, já existem negociações com instituições de pesquisa e iniciativa privada, para evitar que o estudo seja afetado.

terceira fase da pesquisa mostrou que, em dois meses, aumentou a prevalência do coronavírus em um grupo de cidades analisadas: de 1,9% (fase 1 da pesquisa entre 14 a 21 de maio) para 3,8% (fase 3, que ocorreu de 21 a 24 de junho). No mesmo período, o distanciamento social caiu de 23,1% para 18,9%.

“Os resultados, inclusive, foram bastante elogiados pelo Secretário-Executivo do Ministério [Elcio Franco]. Os artigos estão sendo publicados em uns dos melhores periódicos científicos do mundo, estão em avaliação e serão publicados. Não existe nenhuma razão científica que justifique a não continuação do financiamento. Agora, se existe alguma outra razão, nós desconhecemos”, aponta o reitor.

Ainda não há uma previsão para a retomada das próximas etapas, já que os pesquisadores aguardam pelas negociações.

“É uma coisa muito triste para o Brasil, tu ter o maior estudo epidemiológico do mundo sobre coronavírus e o estudo parar no meio por falta de financiamento. Acho que é um pouco do retrato de como o país trata a ciência e tecnologia”, afirma Hallal.

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