Na corrida global para produzir uma vacina contra o novo coronavírus, a SinoPharm, farmacêutica estatal chinesa submeteu os próprios funcionários, entre eles executivos da empresa, a doses experimentais de uma vacina cujos testes em humanos ainda não haviam sido autorizados pelo governo.

Segundo um post publicado pela SinoPharm, “30 voluntários especiais” receberam as doses antes de a empresa obter permissão para o estudo inicial. O texto cita o “espírito de sacrifício” deles e traz uma foto de sete homens de terno e gravata, que seriam os funcionários da estatal. As informações são da Associated Press.

Entre as dezenas de vacinas contra a covid-19 que estão em fase de desenvolvimento ou teste, oito são chinesas. A SinoPharm está testando duas possíveis candidatas que receberam permissão para estudos da Fase 1 no final de abril. Em um post na conta oficial do WeChat (rede social chinesa) de uma subsidiária, a empresa diz que realizou seu “pré-teste” no final de março “para fazer com que as vacinas cheguem ao mercado o mais cedo possível”.

A primeira rodada de testes em humanos, chamado estudo de Fase 1, exige a permissão dos órgãos reguladores de medicamentos de um país, que decidem se há evidências laboratoriais e animais suficientes para justificar a tentativa.

“Obter a vacina contra a covid-19 é o novo Santo Graal”, disse Lawrence Gostin, especialista em direito em saúde pública na Universidade de Georgetown, em entrevista à agência. “A competição política para ser a primeira não é menor do que a corrida pela lua entre os Estados Unidos e a Rússia”, completou ele.

Essa não teria sido a primeira vez que um laboratório chinês burlou as regras. No final de junho, o governo deu uma aprovação especial aos militares para usar uma vacina experimental produzida pela CanSino Biologics, pulando os testes finais necessários para comprovar sua eficácia.

Alguns participantes do primeiro ensaio clínico do CanSino em março disseram, em publicações nas redes sociais, que os pesquisadores do projeto alegaram ter recebido as injeções em 29 de fevereiro, ou seja, antes da aprovação do estudo por parte dos órgãos reguladores. Em entrevista ao Beijing News, um pesquisador afirmou que o chefe da equipe, Chen Wei, renomado virologista que atua na Academia de Ciências Médicas Militares, foi o primeiro a receber a dose experimental.

Segundo a Associated Press, a CanSino, a Academia e a Administração Nacional de Produtos Médicos, que aprova os testes de vacinas na China, não quiseram comentar as alegações.

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