A produção brasileira de grãos deverá atingir recorde de 251,42 milhões de toneladas na safra 2019/2020, o que corresponde a um aumento de 3,9%, ou 9,3 milhões de toneladas, ao colhido em 2018/19 (242,1 milhões de t). Em relação ao levantamento anterior, de junho, houve aumento de 888 mil t. Os números fazem parte do 10º Levantamento de Grãos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quarta-feira, 8.

Segundo comunicado da Conab, o “desempenho recorde na agricultura deve-se, principalmente, às colheitas de soja e milho, responsáveis por cerca de 88% da produção”.

Nesta safra, a Conab estima a maior colheita já registrada para a soja, com uma produção de 120,88 milhões de toneladas, aumento 5,1% ante 2018/19 (115,03 milhões de t). “O bom resultado foi obtido, apesar dos problemas climáticos registrados principalmente no Rio Grande do Sul, com registro de produtividade média nacional maior que a da safra passada.”

 

O reflexo da boa produção de soja pode ser visto nas exportações do produto, destaca a Conab. Nos primeiro semestre deste ano o País exportou 60,3 milhões de toneladas da oleaginosa, aumento de 38% em comparação com o mesmo período do ano passado. A elevação da cotação do dólar em relação ao real contribuiu para esse número, aumentando a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. A soja e os demais produtos do agronegócio contribuíram para um saldo de aproximadamente US$ 36 bilhões de dólares na balança comercial, algo em torno de R$ 190 bilhões.

A produção de milho também deve ser a maior já registrada no País. Com a colheita realizada em 25% da 2ª safra do cereal, a expectativa é de que o Brasil tenha uma produção de 100,56 milhões de t, aumento de 0,5% ante a safra 2018/19 (100,04 milhões de t). O resultado ocorre mesmo com o atraso do plantio da soja, que provocou impacto no plantio do milho, fazendo com que parte da semeadura tenha sido feita fora do período ideal. “Em Mato Grosso, principal Estado produtor, as condições climáticas foram menos favoráveis que na safra passada, o que não permitiu às lavouras expressarem todo seu potencial produtivo”, explica a estatal.

O crescimento na área plantada deve compensar as influências negativas na cultura do milho. “Este aumento pode ser consequência dos preços de mercado, em níveis remuneratórios ao produtor, que incentivou o plantio”, argumenta. Nesta ampliação do produto, o Brasil passa registrar uma terceira safra do cereal, puxada pela região produtora de Sergipe, Alagoas e pelo nordeste da Bahia (Sealba). Com a semeadura concluída, o desempenho depende das condições climáticas nos próximos meses. A terceira safra de milho está projetada em 1,46 milhão de t, aumento de 19,7% ante o período anterior.

Outro produto que já registra o plantio da 3ª safra concluído é o feijão. “Mas, para a leguminosa, o clima tem maior influência nas áreas do Norte e Nordeste do País, uma vez que a produção registrada no Centro-Oeste é irrigada. Com o cultivo das três safras do produto, consumo e produção mantêm-se alinhados, próximo a 3 milhões de toneladas”, comenta a Conab.

Com relação à produção de algodão, a Conab projeta safra de 2,89 milhões de toneladas de pluma, 4% superior à safra passada. “As condições climáticas vêm favorecendo o bom desenvolvimento das lavouras. A colheita já foi iniciada, terminando em setembro”, diz a estatal, em boletim.

A produção de arroz está estimada em 11,2 milhões de toneladas, 6,5% superior ao produzido na safra passada. Desse total, 10,3 milhões de toneladas em áreas de cultivo irrigado e 0,9 milhão de toneladas em áreas de plantio de sequeiro.

Com o plantio das principais culturas finalizando, a Conab continua acompanhando o desenvolvimento das lavouras e o impacto do clima nas culturas de inverno. Destaque para o trigo, que apresenta expressivo crescimento na área plantada, chegando a 2,32 milhões de hectares, um aumento de 13,7%. A produção pode atingir 6,32 milhões de toneladas, aumento de 22,5% ante 2019.

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