As imagens, que foram base para a prisão preventiva determinada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), mostram o conselheiro saindo do escritório e descendo as escadas em alta velocidade seguido por um agente da Polícia Federal.

Ao chegar no térreo, um outro agente que veio pelo elevador encontra o conselheiro tirando várias folhas de cheques do bolso e as jogando na lata do lixo. Os cheques, somados, valiam cerca de R$ 450 mil.

A ação ocorreu no dia 17 de junho durante a 16ª fase da Operação Ararath. Na ocasião, Waldir Teis não foi preso em flagrante porque, como conselheiro, tem imunidade que restringe a possibilidade de prisão em caso de crimes afiançáveis.

A prisão ocorreu só na última quarta-feira (1º), quando o conselheiro se entregou à Polícia Federal. Ele foi denunciado por obstrução de justiça pelo MPF (Ministério Público Federal), que pediu a devolução de R$ 3 milhões por danos morais.

A defesa do conselheiro recorreu da decisão, solicitando o relaxamento da prisão. Segundo os advogados, Waldir Teis não nega a tentativa de ocultar os cheques e classifica o ato como, “em todos os sentidos, lamentável e injustificável”.

“Os cheques nada tinham de errado. Eram de um familiar e perfeitamente legais. Não existia uma prova criminal ali. A questão é que o conselheiro Waldir tentava evitar que familiares, que já sofriam muito, entrassem no problema dele”, afirmou o advogado Diógenes Curado.

A Operação Ararath investiga esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, financiamento clandestino de campanhas eleitorais e enriquecimento ilícito, entre 2006 a 2014, envolvendo políticos, empresários e bancos em Mato Grosso.

O MPF investiga o patrimônio dos conselheiros desde 2017, quando o ex-governador Silval Barbosa firmou delação premiada e confessou que havia selado um acordo com membros do TCE-MT para que ele pagasse R$ 53 milhões a título de propina em 2013.

O pagamento foi efetuado para impedir que os conselheiros investigassem as obras da Copa do Mundo de 2014.

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