A trilha sonora da última live do presidente Jair Bolsonaro causou reação negativa. Netos de Luiz Gonzaga, co-autor da música Riacho do Navio, que o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, tocou no acordeon, não gostaram do uso político da composição.

Amora Pêra, Daniel Gonzaga e Nanan Gonzaga, que são filhos do também cantor e compositor Gonzaguinha, divulgaram texto de protesto nas redes sociais.

“Diante da impotência e da impossibilidade de processo por propaganda indevida, por dupla apropriação, da canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e do projeto do Rio São Francisco; nós, filhos de Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, netos de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, apresentamos uma NOTA DE NOJO diante deste governo mortal e suas lives. Governo que faz todos os gestos ao seu alcance para confundir e colocar em risco a população do Brasil, enquanto protege a si mesmo e aos seus”.

Os três dizem não estar de acordo com uso da canção e nem sua execução (“com duplo sentido”) pelo presidente da Embratur na transmissão ao vivo do presidente.

Os netos de Gonzagão informam que, ainda que simbolicamente, não autorizam o governo federal a usar as canções assinadas por nenhum de seus familiares.

“Sonhamos com o dia em que nosso país volte a ser e a ter respeito e honestidade em relação à sua história, suas injustiças e desequilíbrios. Sonhamos o dia em que se volte a reconhecer, dentro do país, a importância da Cultura, das artes brasileiras, e seu imenso legado por gerações, assim como o é em todo o mundo”, diz o texto.

Os signatários dizem também sonhar com “dias sem mortos pela violência do Estado, seja ela direta ou indireta. Finalmente; sonhamos com quando poderemos dançar e cantar abraçados, sem medo, nos bailes de forró e nas tantas festas as quais o Brasil faz e das quais é feito”.

Os netos de Luiz Gonzaga afirmam trabalhar todos os dias para realizar esses sonhos “por todas as gentes deste país”.

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