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Depois de deixar de ser considerado um dos destinos de maior atratividade para o investimento estrangeiro direto em 2019, o Brasil voltou a figurar num ranking de 25 países mais confiáveis para esse tipo de fluxo de capital, relacionado aos fundamentos de longo prazo da economia. É o que mostra a edição de 2020 do FDI Global Index, divulgado hoje pela consultoria internacional Kearney.

Numa escala que vai de 0 a 3, o Brasil aumentou sua pontuação de 1,37 em 2018 para 1,65 este ano, melhora que o colocou na 22ª posição entre as 25 principais no radar do investidor estrangeiro — o único representante da América Latina na lista. Como a consultoria só divulga os dados para esse grupo, não estão disponíveis a posição exata nem a nota brasileira de 2019, quando o país ficou de fora do ranking pela primeira vez desde o começo do estudo, em 1998.

Para mapear os países com maior potencial de atrair investimentos nos próximos três anos, a Kearney consulta anualmente 500 executivos de empresas multinacionais. Em 2020, a apuração da pesquisa ocorreu entre 27 de janeiro e 3 de março, período em que o epicentro da pandemia de covid-19 se deslocou da Ásia para os países desenvolvidos. Na data de corte, a doença começava a chegar no Brasil.

Segundo Mark Essle e Sachin Mehta, sócios da consultoria no país, os resultados brasileiros foram afetados pela eclosão da crise do novo coronavírus no período final da enquete, mas o movimento de piora foi generalizado. Enquanto, entre as duas primeiras e as duas últimas semanas de análise, as notas para os mercados desenvolvidos, emergentes e “de fronteira” caíram entre 25% e 30%, o índice referente ao Brasil recuou 18%, observaram.

Apesar do elevado nível de incerteza no ambiente econômico e político, 35% dos executivos disseram ter perspectivas mais otimistas para o Brasil num horizonte de três anos, quando comparados à visão do ano anterior. A parcela de mais pessimistas ficou em 13%, enquanto 52% afirmaram que sua percepção se manteve relativamente igual entre um ano e outro.

“Estou positivamente surpreso com o Brasil ter voltado para o ranking já este ano, o que quer dizer que há um certo grau de confiança no futuro do país”, disse Essle. “É a prova de que, se políticas pró-mercado são sinalizadas e implementadas, você consegue atrair o investidor estrangeiro.”

Como exemplo de medidas que vão nesse sentido, ele menciona a agenda de reformas que vem sendo implementada desde o governo Temer, cujo principal expoente é a Previdência. Outro fator positivo que pode ter influenciado a melhora da avaliação sobre a economia brasileira é o programa do governo que prevê privatizar grandes estatais, como a Eletrobras, acrescentou, além de uma postura mais austera das contas públicas antes do coronavírus.

“São medidas que melhoram o ambiente de negócios. Claro que há uma preocupação com o equilíbrio fiscal, mas houve avanços, como a Previdência e a lei do teto de gastos”, comentou o executivo, para quem o aumento das turbulências na política não deve contaminar as expectativas de longo prazo para o país.

“Tirando um pouco a parte política da equação e olhando o que pode vir pela frente, faz sentido o Brasil ter voltado para o ranking”, avalia Mehta. Desde 2014, observa ele, o Brasil vem perdendo posições no ranking da Kearney: o país chegou a ficar em quinto lugar naquele ano. Já em 2018, foi o último colocado (25º).

Embora seja difícil fazer comparações com o momento atual, em 2014, o mundo surfava uma onda de crescimento, o que elevou os fluxos de investimento direto de forma generalizada, lembra Mehta. Depois disso, em 2016, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afetou a imagem do país, acrescenta. “Agora estamos começando a voltar à direção correta.”

Para que o país continue aparecendo no ranking, o governo precisa dar seguimento à agenda de reformas, apontam os sócios da Kearney. Nesse ponto, a reforma tributária seria fundamental. Segundo a pesquisa, o principal quesito levado em conta pelos executivos para decidir em quais subsidiárias vão investir é o sistema tributário e a facilidade para pagar impostos.

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