A delegada responsável pelo inquérito que apura suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, Christiane Correa Machado, enviou ofício à Superintendência na PF no Rio para cobrar informações sobre eventual pedido da defesa de Fabrício Queiroz a investigações sigilosas.

O pedido da delegada se baseia em petição da defesa do ex-ministro Sergio Moro, que foi quem sugeriu que o presidente da República teria exercido influência indevida sobre a PF.

Os advogados do ex-juiz mencionam reportagens que indicam que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro soube, em agosto do ano passado, de investigação sigilosa da Polícia Federal no Rio de Janeiro que atingia o filho mais velho do presidente.

A defesa de Queiroz teria solicitado acesso aos autos, o que foi negado pela Justiça Federal. De acordo com as reportagens, no entanto, a juíza responsável pelo caso teria autorizado o envio de cópia do relatório que menciona diretamente Queiroz. Trata-se do relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que embasou também as investigações sobre suposto esquema de ‘rachadinha’ no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

A defesa de Moro chamou a atenção para o fato de que o suposto pedido de Queiroz se deu no mesmo mês em que Bolsonaro determinou a demissão do então superintendente da PF no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi.

A delegada que conduz a investigação sobre suposta interferência do presidente pediu para que a Superintendência da PF no Rio informe se a defesa de Queiroz efetivamente pediu acesso à investigação e, em caso positivo, que remeta a cópia desses documentos.

O pedido da delegada Christiane Correa Machado consta de documento enviado na última 6ª feira (19.jun.2020) ao ministro Celso de Mello, que preside o inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). Leia a íntegra do inquérito (12,2 MB).

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