O coronavírus é a causa oficial de mais de 5 mil mortes por dia, em média, desde o início de abril. Nos rankings de mortos e infectados, histórias de vida, memórias e afetos se transformam em números e estampam as capas de jornais nos cinco continentes.

Ser incluído nas estatísticas não é um direito garantido a todos. Em Mogadíscio, capital da Somália, duas semanas antes da confirmação da primeira morte por covid-19, moradores já observam “funerais em massa” nos cemitérios da cidade, sem motivo aparente. Dados oficiais apontam menos dois óbitos por dia causados por coronavírus no país africano, embora o número de sepultamentos continue acima da média.

Quase metade das 56 milhões de mortes que ocorrem todos os anos no planeta, por diversas causas, não geram nenhum tipo de documento – o que equivale a uma média diária superior a 70 mil óbitos sem registro. Essa é a estimativa considerada pela organização estadunidense CDC Foundation, que mobiliza recursos privados para apoiar Centros para Controle e Prevenção de Doenças pelo mundo.

“Em alguns países, as estatísticas básicas de nascimento e morte só podem ser obtidas a partir de censos populacionais e pesquisas por amostra”, ressalta Amy Tolchinsky, diretora de comunicações da entidade. “Além disso, uma grande porcentagem das mortes registradas não contém a causa de morte”.

A defasagem é estimada a partir de dados fornecidos pela divisão de estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU), que consideram o envelhecimento populacional e o número de mortes previsto anualmente por sexo e idade.

Segundo Tolchinsky, a situação é mais grave no continente africano. “Uma das razões históricas para isso é a colonização [europeia]. Naquele período, foram criadas leis que excluíam os africanos do registro de nascimento e óbito. Após a independência, cada país teve que aprovar novas leis e processos, e algumas delas ainda são muito prematuras, criadas nas últimas décadas”, explica.

Pelo menos 100 países não possuem sistemas eficazes de registro de nascimentos e mortes, conforme levantamento da organização Vital Strategies, parceira da CDC Foundation no programa Data For Health (em português, “Dados para a Saúde”). Desde 2015, o projeto contribui para o aprimoramento dos sistemas de registro de dados relativos à saúde pública em 20 países da África, da Ásia e da América Latina.

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