Um estudo feito por uma equipe técnica da Secretaria Estadual de Saúde do RJ recomenda que os cinco hospitais de campanha que ainda não foram inaugurados no estado não sejam abertos.

Nesta segunda-feira (22), Fernando Ferry pediu demissão da pasta. “Eu só queria dizer mais uma coisa: peço desculpas à população. Mas a única coisa que eu tenho a falar: eu tentei. Obrigado e espero que vocês me desculpem”, disse ao Bom Dia Rio.

Das sete unidades de campanha prometidas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, apenas duas foram entregues, e com atraso: as unidades do Maracanã e de São Gonçalo.

As cinco unidades que ainda não foram entregues são as de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nova Friburgo, Campos dos Goytacazes e Casemiro de Abreu. O prazo inicial para a entrega destes hospitais era dia 30 de abril.

O Hospital de Campanha de São Gonçalo tem capacidade para 200 leitos — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Saúde

O Hospital de Campanha de São Gonçalo tem capacidade para 200 leitos — Foto: Divulgação/Secretaria Estadual de Saúde

Estudo aponta vagas e custos

Entre os motivos apontados pela equipe para justificar a recomendação, estão a taxa de ocupação nos leitos das três esferas de governo no RJ — cerca de um terço está em uso.

Especificamente para a Covid-19, segundo o relatório, a ocupação na rede estadual é de 59,9% para UTI para adultos e 56,7% para enfermaria de adultos.

A equipe garante ainda que “considerando a possibilidade de uma segunda onda após a flexibilização, ainda assim podemos ofertar assistência à população com a ativação dos leitos que ora se encontram impedidos”.

Outro motivo para a não abertura dos cinco hospitais de campanha no estado apontado pelo documento é o custo mensal de leitos.

Segundo o estudo, o custo — incluindo o de pessoal — por leito de UTI no hospital de apoio é de R$ 43.780,82; no de enfermaria, também com pessoal, é de R$ 33.951,45.

Hospital de Campanha de Barra de São João, em Casimiro de Abreu, no RJ, em foto do dia 2 — Foto: Felipe Basílio/Inter TV RJ

Hospital de Campanha de Barra de São João, em Casimiro de Abreu, no RJ, em foto do dia 2 — Foto: Felipe Basílio/Inter TV RJ

Indecisão já em maio

Em maio, Ferry já havia dito que algumas unidades atrasadas poderiam não ser entregues. Segundo ele, à época, o atraso para a conclusão das obras e os números positivos da pandemia poderiam tornar as unidades desnecessárias.

Do R$ 1 bilhão que o governo do RJ destinou para o combate à Covid-19, R$ 836 milhões foram destinados para o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde, o Iabas. Desse montante — e antes de ter recebido o primeiro leito dos sete hospitais contratados —, o estado já tinha adiantado R$ 256 milhões.

Os responsáveis pela organização social chegaram a afirmar, em uma nota oficial, que ficariam “felizes” se obras de hospitais de campanha do RJ paralisassem.

No início de junho, o governador Wilson Witzel (PSC) assinou um decreto afastando a organização social (OS) Iabas da construção e gestão dos hospitais.

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