Insatisfeitos com declarações, apoio a protestos antidemocráticos e ações de Abraham Weintraub à frente do Ministério da Educação, congressistas comemoraram, nesta quinta-feira, a saída do agora ex-ministro do governo Bolsonaro. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que espera um novo ministro “de fato comprometido com a educação”.

— A gente espera que possa ficar melhor. Estava muito ruim o Ministério da Educação. Todo mundo sabe a minha posição, não adianta ficar aqui reafirmando. Não é isso que vai melhorar o diálogo com o Ministério da Educação. Esperamos que a gente possa ter no Ministério da Educação alguém de fato comprometido com a educação e com o futuro das nossas crianças — disse Maia.

O presidente da Câmara também criticou a última medida tomada por Weintraub que extingue cotas para negros e indígenas na pós-graduação, e disse que a Câmara vai dialogar com o governo para tentar reverter essa decisão.

— Vamos conversar agora com o novo ministro, dialogar com o ministro da articulação política, para ver se nós podemos resolver isso no diálogo com o governo, sem a necessidade de votação de um projeto de decreto legislativo. O ideal é que a gente possa mostrar ao governo que essa última decisão do ministro, já sabendo que ia sair, talvez tenha baixa legitimidade num tema tão importante e que vai gerar tanta polêmica e tanto desgaste para o governo em todo o Brasil.

Perguntado sobre a ida de Weintraub para o Banco Mundial, Maia respondeu com ironia:

— É porque não sabem que ele trabalhou no Banco Votorantim, que quebrou em 2009 e ele era um dos economistas do banco.

O PSDB disse que a situação de Weintraub era “insustentável”.

“A permanência do ministro da Educação no cargo já vinha sendo questionada por vários segmentos da sociedade, mesmo antes da divulgação do vídeo em que ele se referiu aos ministros do STF de forma ofensiva e inaceitável. Porém, após sua participação em atos antidemocráticos e depois da decisão do Supremo de mantê-lo em inquérito que investiga as fake news, o certo é que sua participação no governo se tornou insustentável”, pontuou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), em nota.

Sampaio disse ainda que “o ex-ministro já vinha num processo de desgaste crescente, particularmente por seus posicionamentos nas redes sociais muitas vezes incompatíveis com a importância do cargo que ocupava”.

Líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA) disse que “Abraham Weintraub era o ministro que jamais poderia ter sido ministro”. “Não tinha compostura nem capacidade técnica para ocupar tão importante pasta. Seu único legado é um recado ao governo: a sociedade está farta do radicalismo e de atentados à democracia. O Brasil merece respeito”, escreveu em rede social.

Já o líder da minoria na Casa, Randolfe Rodrigues (AP), escreveu que Weintraub vai ter de ser responsabilizado por eventuais crimes.

“Já vai tarde! Há tempos o Ministério da Educação, assim como o Brasil, está sem comando. É uma vitória da Educação! Mas vale lembrar: não é porque caiu que não vai deixar de pagar por eventuais crimes, viu? Isso vale para Bolsonaro e para Weintraub! O Brasil merece mais!”, disse em rede social.

Senador e ex-presidente da República, Fernando Collor (Pros-AL) escreveu que o “Brasil merece um Ministro da Educação que tenha a experiência e o conhecimento necessários para conduzir políticas públicas à altura dos desafios que o País enfrenta na área, isentas de ideologias nefastas”.

Coordenador da Comissão Externa de Acompanhamento do MEC (Comex-MEC) na Câmara, o deputado João Campos (PSB-PE) comemorou a demissão do ministro, mas ponderou que é importante estar atento ao seu sucessor.

— Grande dia! É um dia importantíssimo, uma vitória da educação, mas temos que estar atentos ao ditado popular: “nada é tão ruim que não possa piorar.” Celebramos a derrota de Weintraub, não por ele, mas pela educação do país. Milhares de jovens que não estão sendo bem assistidos durante a pandemia. Ao mesmo tempo ficamos preocupados com quem pode vir a sucedê-lo. Vamos acompanhar com rigor essa sucessão, o presidente pode ter uma tática de manter um interino, como fez na Saúde, o que não é interessante — afirmou.

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