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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a criticar a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello de divulgar o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril. Em um discurso feito nesta manhã em frente ao Palácio da Alvorada, o líder do executivo eximiu os ministros Abraham Weintraub (Educação) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) pelas declarações que vieram a público e acusou o decano de abuso de autoridade por derrubar o sigilo do conteúdo da reunião.

“Ele (Celso de Mello) é o responsável. Peço pelo amor de Deus que não prossiga esse tipo de inquérito a não ser que seja pela lei do abuso de autoridade, que está bem claro de quem divulga vídeos, imagens, ou áudios do que não interessa ao inquérito. Está lá, um a quatro anos de detenção. O criminoso não é o Weintraub, não é o Salles, não é de nenhum de nós. A responsabilidade de tornar público aquilo é de quem suspendeu o sigilo de uma sessão cujo vídeo foi chancelado como secreto”, afirmou.

Na última sexta-feira (22), Celso de Mello decidiu derrubar o sigilo da reunião ministerial e determinou que a maior parte da reunião fosse liberada, exceto trechos que tratavam de outros dois países e que não estavam relacionados ao inquérito que apura se Bolsonaro interferiu politicamente na PF (Polícia Federal).

Durante o pronunciamento de hoje, transmitido pela CNN, Bolsonaro insistiu que a responsabilidade sobre o conteúdo que se tornou público é de Celso de Mello.

“Pelo amor de deus, peço que reflitam. Lá nessas reuniões, cada um pode falar o que bem entende porque eram reservadas. Poderia ter destruído a fita, respeitei a decisão do decano Celso de Mello e entreguei a fita. Levantou o sigilo secreto de uma sessão. A responsabilidade do que tornou-se público não é de nenhum ministro, é do ministro Celso de Mello”, disse.

Weintraub citou “vagabundos” no STF

A AGU (Advocacia-Geral da União) havia solicitado que o ministro divulgasse apenas parcialmente o teor do vídeo e transcreveu duas breves declarações de Bolsonaro na reunião. Numa live na quinta-feira (21), o presidente também pediu que a íntegra não fosse divulgada por conter “questões reservadas” e disse que tinha “bastante palavrão”.

Na gravação, Weintraub, afirmou que por ele, colocaria “vagabundos” na cadeia e disse que começaria pelo STF. No despacho em que autorizou a quebra do sigilo do vídeo, Celso de Mello escreveu ver sinais de crimes praticados pelo ministro da Educação em sua fala, e ordenou que as imagens fossem encaminhadas aos outros 10 integrantes do Supremo.

Já Salles falou em aproveitar o foco da imprensa na cobertura da pandemia da covid-19 para aprovar reformas “infralegais” de todos os tipos. Para o ministro, essa seria a hora de “passar a boiada” e simplificar normas “de baciada”.

As declarações de Weintraub e Salles – e também da ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), que sugeriu a prisão de prefeitos e governadores por causa de leis de isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus – foram duramente criticadas por autoridades e entidades.

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