O professor e pesquisador na área de doenças infecciosas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e do IMIP (Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira), Lula Arraes, afirma que o debate em torno do uso da cloroquina coloca o país em uma posição isolada do mundo.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defende o uso da droga, e o governo federal publicou hoje uma recomendação para que o o sistema público de saúde passe a prescrever cloroquina e hidroxicloroquina a pacientes com sintomas leves.

“Esse não é um protocolo científico, é ideológico. Esse debate ainda persiste apenas no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, onde o [presidente Donald] Trump às vezes fala a respeito, ninguém debate isso. Esse debate ocorria no início do março. Hoje nem na França, onde surgiu a ideia que agitou o mundo, existe. Lá foi ‘despublicado'”, opina o médico, em entrevista ao UOL

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) retirou de suas orientações a médicos, ainda no início de abril, informações sobre a prescrição de hidroxicloroquina e cloroquina em casos do novo coronavírus.

Arraes integra o comitê científico do Comitê Nordeste (grupo que reúne os nove governadores da região). Em 26 de abril, os cientistas do grupo já haviam publicado recomendação aos estados para que não usassem cloroquina no tratamento para covid-19, por falta de embasamento científico. “Nós aqui não recomendamos usar, e seguimos firme contra o uso. Isso não é uma opinião nossa, que seria um mero palpite. Não se trabalha assim em ciência. Sinto-me até constrangido em falar coisas tão elementares, mas tudo tem de ser embasado em evidências científicas”, ressalta o professor da UFPE. Arraes ainda afirma que, em 35 anos de carreira, nunca viu um protocolo do Ministério da Saúde sobre sobre o manejo de uma doença não ter a assinatura de um médico sequer, como foi o publicado hoje.

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