A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) divulgou nesta segunda-feira (18/5) um parecer científico sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, no qual a entidade conclui que “ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na covid-19”.

O documento, assinado por pesquisadores integrantes do Comitê Científico e Diretoria da SBI, justifica a conclusão ao dizer que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que fizeram uso do medicamento.

“Trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. Desta forma, a SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da covid-19.”, diz o texto do parecer.

O medicamento é usado, normalmente, em pacientes com malária e doenças reumáticas. No entanto, como tratamento para a covid-19, a SBI alerta que a escolha desta terapia “vem na contramão de toda a experiência mundial e científica com esta pandemia.”

Discussão política

O uso do medicamendo no tratamento de pacientes com o novo coronavírus foi um dos principais motivos do pedido de demissão do ex-ministro da Saúde, Nelson Teich. O médico oncologista entrou em conflito com o presidente Jair Bolsonaro por não aprovar o uso de cloroquina para todos os pacientes com covid-19.

Desde a última semana, Bolsonaro promete um novo protocolo sobre uso do remédio. A intenção é ampliar o uso para quem apresentar os sintomas leves da doença.

Segundo o Correio Braziliense, na última sexta-feira (15/5), o Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, que “está finalizando novas orientações de assistência aos pacientes com covid-19”.

“O objetivo é iniciar o tratamento antes do seu agravamento e necessidade de utilização de UTI (Unidades de Terapia Intensiva). Assim, o documento abrangerá o atendimento aos casos leves, sendo descritas as propostas de disponibilidade de medicamentos, equipamentos e estruturas, e profissionais capacitados”, diz a nota, que não revela que tipo de medicamento seria considerado na nova orientação.

Até o momento, o novo protocolo ainda não foi divulgado.

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