Sempre fico muito comovido quando vejo jornalistas – alguns são meus amigos, gente que admiro – a fazer uma distinção entre Paulo Guedes e Não consigo ver as diferenças – a não ser aquelas que não fazem diferença. Guedes é multimilionário; Bolsonaro, que eu saiba ao menos, é um classe média. Guedes conhece economia o suficiente, Bolsonaro só sabe javanês. Guedes professa, para todos os efeitos, um credo liberal; Bolsonaro luta todos os dias para conter seu viés estado-militarista…

Mas e daí? Que diferença isso faz? Embora Bolsonaro fosse o estandarte da marcha dos insensatos, sua suposta base técnica era Paulo Guedes. Lá estava ele se jactando dos esforços do governo na crise, como se fizesse sacrifício pessoal; endossando, com terrorismo econômico, a tese doidivanas e homicida do presidente; desrespeitando todos os protocolos conhecidos de combate à pandemia; desmoralizando até mesmo o ministro da Saúde e enrolação – para todos os efeitos, a orientação oficial do ministério, sob intervenção militar, é manter, por enquanto, o distanciamento social.

A Guedes se entregou a gestão de metade do governo. É visível que ele não tem condições de tocar tantas pastas ao mesmo tempo. Como diz um amigo, comporta-se como um vendedor de carro usado – e bichado -, a plantar ilusões e amanhãs sorridentes, sem que se conheçam os instrumentos para tanto. Seu mais recente foco é conter o reajuste de salário dos servidores por um ano e meio. Sem isso, entende-se, não há solução. Não pode ser sério.

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