Aos 84 anos de idade, vítima de parada cardiorrespiratória, faleceu nesta madrugada, em sua casa, em João Pessoa, o escritor, historiador, cineasta, agitador cultural, diretor da PBTUR e um dos maiores incentivadores do turismo na Paraíba Wills Leal. Wills escreveu livros sobre temas como o Amor Atonal e foi o primeiro ombudsman da imprensa paraibana, atuando no jornal “O Norte”, já extinto, quando esse veículo era dirigido por Marcone Goes de Albuquerque, tendo como um dos diretores Teócrito Leal, irmão de Wills.

Wills nasceu no dia 18 de setembro de 1936, em Alagoa Nova, Paraíba, filho de Antonio Leal Ramos e dona Ana Meira Leal Ramos. Aprendeu as primeiras letras em casa, com o seu pai, prosseguindo no grupo escolar estadual de Alagoa Nova, onde concluiu o curso primário. Vindo à capital paraibana, a fim de complementar os estudos, matriculou-se no Lyceu Paraibano e, em seguida, na Academia de Comércio Epitácio Pessoa. Mais tarde graduou-se em Filosofia na Faculdade de Filosofia de João Pessoa e posteriormente bacharelou-se em Línguas Neolatinas, na Universidade Federal da Paraíba, especializando-se em Língua e Literatura Francesa.

Poliglota, Wills Leal, incentivado pelo tio José Leal Ramos, considerado o decano da imprensa paraibana, ingressou na imprensa, iniciando a carreira como revisor do jornal “O Norte”, ascendendo, nesse mesmo veículo, à condição de colunista e articulista, mantendo uma página dedicada ao turismo e atuando nessa área como presidente da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores de Turismo (Abrajet). Professor aposentado do Estado, já havia lecionado Língua e Literatura Francesa no Conservatório Antenor Navarro e na Escola de Formação de Professores. Desenvolveu atividades relacionadas ao turismo, exercendo o cargo de diretor de eventos e operações na Empresa Paraíba de Turismo. Sempre ligado às atividades jornalísticas e de turismo, teve a oportunidade de viajar muito, conhecendo quase todos os países do mundo. Durante três anos foi promotor, na Paraíba, do concurso Miss Paraíba, com reconhecimento nacional.

Também foi o idealizador da “Banda de Tambaú” nas prévias carnavalescas de João Pessoa, inspirado na Banda de Ipanema, do maestro Albino Pinheiro. Nos anos sessenta, liderou um grupo de amigos, fundando o Clube dos Solteiros, instalado na Boate Maravalha, na praia de Tambaú. Como crítico cinematográfico, publicou inúmeros trabalhos em jornais de João Pessoa, em revistas especializadas e até no exterior. Foi um dos perseguidos pelo regime militar de 1964, considerado “subversivo” por suas posições libertárias. Ingressou na Academia Paraibana de Letras em 29 de maio de 1992, recepcionado pelo acadêmico José Octávio de Arruda Mello. Frase emblemática de Wills Leal, em tom de brincadeira, ao fazer 75 anos em 2011: “A melancolia é inerente ao ser humano diante do nascer e do morrer. Todos sabemos que vamos morrer. Se eu morrer, quero morrer vivo, não quero morrer morto”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

um × dois =