O número de mortes em Manaus disparou desde o início da pandemia do coronavírus até o dia 25 de abril e está 108% acima da média histórica, segundo análise exclusiva feita para o G1 pelo epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, com base em dados capturados do Portal da Transparência do Registro Civil pelo engenheiro de software Marcelo Oliveira.

Para os especialistas, a taxa revela a subestimação das estatísticas oficiais.

 

O cálculo leva em conta as mortes ocorridas entre entre 15 de março e 25 de abril, pois a primeira morte por coronavírus no país ocorreu em 16 de março.

Nesse período (15 de março e 25 de abril), em média 1.277 pessoas morreram na cidade de Manaus a cada ano entre 2016 e 2019. Em 2020, o número saltou para 2.653. Ou seja, 1.376 mil mortes a mais.

Das 1.376 mil mortes a mais, 246 foram oficialmente causadas pela Covid-19. Outras 1.130 seriam por outras causas. No entanto, para Lotufo, elas podem ter sido provocadas pelo vírus ou pelas consequências indiretas do impacto da Covid -19na rede hospitalar. “A pandemia desequilibra o sistema de saúde”, diz Lotufo.

“[A pandemia] amplia as mortes por diversos outros tipos de doença, como ataques cardíacos ou acidentes vasculares cerebrais, além de gerar um custo também pelo adiamento no tratamento de doenças crônicas.”

Esse número de mortes acima da média histórica é conhecido entre os epidemiologistas como “excesso de mortalidade por todas as causas”.

Excesso de mortalidade pela pandemia em Manaus — Foto: Editoria de Arte/G1Excesso de mortalidade pela pandemia em Manaus — Foto: Editoria de Arte/G1

Excesso de mortalidade pela pandemia em Manaus — Foto: Editoria de Arte/G1

Com pandemia, mortes na cidade de São Paulo estão 28% acima da média histórica

Com pandemia, mortes na cidade de São Paulo estão 28% acima da média histórica

De onde vieram os dados

Para realizar o cálculo, foram usadas informações do Sistema Único de Saúde (SUS) para os anos de 2016 a 2018. Apenas em 2019, ano para o qual os números ainda não estão consolidados, foram usados os dados também dos cartórios.

Além dessa ressalva metodológica (que pouco altera a média), há uma outra mais importante: o atraso nas informações disponíveis.

Legalmente, há um prazo de 24 horas para a família informar mortes ao cartório, mais cinco dias para o registro do óbito, além de outros oito para as informações serem enviadas à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional).

Há, portanto, pelo menos duas semanas de defasagem entre os dados informados no Portal da Transparência dos cartórios e a realidade.

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