Hospitais lotados, filas de espera na UTI, projeções de centenas de mortos por dia: enquanto os números da Covid-19 aumentam no Brasil, o sistema público de saúde é estrangulado.

A cidade do Rio já tem fila de espera no CTI com 37 pacientes e faltam respiradores. O sistema de saúde no estado do Ceará colapsou na quinta-feira com a ocupação total dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI). Os números do terceiro estado mais afetado pela Covid-19 no país refletem uma ameaça que já pressiona outras unidades da federação, em especial o Amazonas, na Região Norte. São Paulo, a cidade mais afetada do país, também viu ontem seu primeiro hospital colapsar.  No Distrito Federal, não há vagas na UTI para pacientes com outras doenças.

Rio de Janeiro (capital)

A cidade do Rio de Janeiro já tem uma fila de pelo menos 37 pacientes à espera de uma vaga no CTI na rede pública. Do total de 619 leitos que a prefeitura administra pelo SUS, apenas oito estão disponíveis no momento, todas para internação de crianças. Na quarta-feira, havia 548 leitos ocupados.

Os dados constam do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, do Ministério da Saúde, em um levantamento feito pela reportagem do GLOBO por volta das 20h de quinta-feira. O cadastro é dinâmico, e o  número  de leitos costuma  variar a todo instante, quando há altas e internações de pacientes em toda a rede. A prefeitura nega que haja falta de leitos.

Um dos entraves para a expansão de leitos é a falta de respiradores. Nesta quinta, o prefeito Marcelo Crivella contou que tinha cem respiradores em estoque, mas, enquanto a prefeitura não abria novos leitos, os equipamentos foram requisitados pelo Ministério da Saúde unidades em outras regiões. Agora, ele busca reaver os equipamentos. Dos 806 ventiladores mecânicos que a prefeitura comprou na China no fim do ano passado, faltam chegar 726. Destes, apenas 300 devem chegar até o fim de abril.

Distrito Federal

Para enfrentar a epidemia do novo coronavírus, o governo do Distrito Federal reservou 90 dos seus 500 leitos de UTIs para pacientes infectados com a Covid-19, mas apenas 29 estão ocupados. O problema é que todos os outros 410 leitos  estão ocupados e isso fez com que 37 pacientes portadores de outras doenças ou agravos estejam, agora, em uma lista de espera aguardando por uma UTI.

Segundo o Ministério da Saúde, o Distrito Federal tinha, na segunda-feira, a terceira maior taxa de incidência para a Covid-19 no Brasil (209/milhão) e o sétimo maior número de casos confirmados da doença: 716.

São Paulo (capital)

Pelo menos sete hospitais da cidade de São Paulo já operam com a capacidade de leitos de UTI acima dos 70%. Nesta quarta, um deles, o Emilio Ribas, colapsou: todas as 30 vagas foram ocupadas por pacientes de coronavírus. São esperados 20 novos leitos para as próximas semanas. Nesta quinta, o governo estadual informou que a ocupação caiu para 93%.

Outras unidades hospitalares apresentam índices preocupantes, como o Hospital das Clínicas, com 83% dos 150 leitos ocupados, o Hospital Geral de Pedreira, com 93%, e o de Vila Nova Cachoeirinha, com 86%.

Segundo o governo de São Paulo, 1.132 das 2,3 mil pessoas internadas pela Covid-19 no estado se encontram em unidades de terapia intensiva.

Ceará

Nesta quinta-feira, o governo do Ceará anunciou que todos os leitos de UTI do estado, que soma 2.386 casos do novo coronavírus, estão ocupados. Até a noite desta quarta-feira, segundo o portal G1, o Ceará tinha 169 pessoas internadas em UTIs, sendo 113 apenas na capital cearense.

Já há 48 pessoas na fila de espera por uma vaga intensiva. Ainda de acordo com o G1, a secretária de Saúde cearense informou que o colapso do sistema estadual ocorreu uma semana antes do esperado.

Amazonas

Segundo o G1, o Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz, na capital Manaus, instituição referência em Covid-19 no estado, ganhou 25 novos leitos de UTI nesta quinta-feira, ampliando a capacidade total para 100. Em todo o estado há 70 pacientes da Covid-19 internados em vagas semi-intensivas.

Pernambuco

Na última terça-feira, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, anunciou que a ocupação de leitos de unidades semi-intensivas era de 88%. Nos dias anteriores, no entanto, o índice avançou para além da casa dos 90%. O último boletim do Ministério da Saúde informou que o estado do Nordeste soma 1.683 infecções pelo Sars-CoV-2.

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