Um estudo da Universidade Harvard mostra que as medidas de distanciamento social podem ser aplicadas até 2022. Essa extensão do isolamento seria necessária para evitar o risco de uma nova onda de casos do coronavírus.

A pesquisa foi publicada na revista Science. Eis a íntegra (7 MB).

Os pesquisadores comparam características do coronavírus causador da covid-19 com outros tipos do vírus, como o que transmitia a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que ocasionou 1 surto na Ásia em 2003.

Com base nos dados de patógenos parentes do Sars-Cov-2, o levantamento estima que 1 paciente curado da doença pode voltar a ser infectado pelo mesmo coronavírus. Isso porque os anticorpos criados pelo organismo para combater a covid-19 durariam apenas 1 ou 2 anos.

Ou seja, nem mesmo a imunização natural da maioria da população seria capaz de conter a aparição de novos casos, criando uma 2ª onda de registros. Esse cenário é observado em tipos mais comuns de outros coronavírus, muitos deles causadores de simples resfriados.

Foto: Roberto Parizotti/FotosPublicas

Os pesquisadores utilizaram a taxa Ro para medir o impacto do distanciamento social na diminuição do grau de infecção do vírus. Essa variante calcula quantas pessoas podem ser infectadas por 1 portador do coronavírus. No caso da covid-19, a R0 é de 3 pessoas. Em coronavírus mais leves, a média é de 2 infectados por portador.

A partir desses dados, os pesquisadores simularam a extensão do isolamento em diferentes níveis de amplitude. Desde o fechamento total até pequenos setores de maior risco. Quando o distanciamento é mantido por pelo menos 20 semanas, há uma redução do R0 de 20% a 60%.

O problema, contudo, é o retorno das atividades depois do período de quarentena. Mesmo que o isolamento vertical tenha mais efeito sobre o Ro, ele pode ser reduzido e temporário.

Como os anticorpos tem uma espécie de “prazo de validade”, a quarentena total até livraria muitas pessoas da infecção, mas elas também não teriam anticorpos.

O resultado é que elas poderiam contrair o coronavírus e mantê-lo em circulação por até 1 ou 2 anos, colocando as pessoas que foram curadas na 1ª onda suscetíveis a uma nova infecção, quando seus anticorpos já não surtirão mais efeito.

Resumindo, a aplicação de uma medida de isolamento social rígida e vertical, por apenas uma vez, não erradicaria o vírus. Ele apenas reduziria momentaneamente o grau de infecções e manteria uma grande parte da população sem defesas.

Ao mesmo tempo, a abertura abrupta da quarentena causaria 1 caos ainda maior nos sistemas de saúde, o que poderia piorar o estrago causado pela pandemia. Uma das soluções seria a adoção de medidas pontuais e gradativas depois de 1 período de fechamento total.

Mesmo assim, o estudo não recomenda nenhuma medida com base na amostra. Os pesquisadores disseram que ainda são necessários diversos testes e mais tempo para entender melhor a atuação do vírus. Algumas variáveis como o nível de disseminação em diferentes temperaturas ainda são incertas.

Fora isso, o grupo de trabalho de Harvard não considerou o impacto por idade, sexo e classe social. Além de não pontuar o impacto econômico causado em países, principalmente os mais pobres.

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