O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, hospitalizado há uma semana com Covid-19, recebeu alta neste domingo, três dias depois de deixar a unidade de terapia intensiva. Em sua primeira declaração oficial desde a segunda-feira passada, quando deu entrada no Hospital St Thomas, Boris agradeceu ao serviço público de saúde por ter salvado “sua vida”. “Nunca agradecerei o suficiente” à equipe do NHS (o serviço de saúde do Reino Unido), “devo a eles minha vida”, afirmou em uma mesagem de vídeo postada no Twitter.

Segundo o governo, apesar de ter deixado o hospital, Boris Johnson ainda não retornará imediatamente ao trabalho. Ele vai continuar sua recuperação em Chequers, sua residência no noroeste de Londres, sob orientação de sua equipe médica”. A alta ocorre no dia em que as mortes pelo novo coronavírus chegam a 10 mil no Reino Unido.

No vídeo, Johnson agradeceu os enfermeiros que cuidaram dele, com menção especial a dois profissionais, Jenny, da Nova Zelândia, e Luis, de Portugal, que ele disse que ficaram ao lado de sua cama por 48 horas “quando as coisas poderiam ter ido para qualquer um dos lados”.

— O motivo pelo qual meu corpo começou a receber oxigênio suficiente foi porque, a cada segundo da noite, eles estavam assistindo e pensando, cuidando e fazendo as intervenções que eu precisava — disse ele, que no vídeo aparece de terno e gravata e falando da maneira enérgica de sempre.

Boris Johnson, de 55 anos, foi levado ao hospital Saint Thomas, em Londres, no domingo, com um quadro de febre persistente e tosse. Na segunda-feira, passou para a terapia intensiva, onde ficou três noites. Segundo o governo, ele não precisou usar um respirador, mas recebeu oxigênio em algumas ocasiões.

No período em que está impedido de exercer suas funções oficiais, Boris Johnson foi substituído pelo chanceler Dominic Raab, que na terça-feira expressou sua confiança na plena recuperação do premier.

O agradecimento público de Boris ao NHS ocorre em um momento em que aumenta o descontentamento entre os profissionais da saúde, denunciando a falta de equipamentos de proteção.

A Associação Real de Enfermeiros (RCN), o maior sindicato do setor, aconselhou seus membros a se recusarem a trabalhar “como último recurso” no caso de uma grave falta de equipamentos de proteção.

— Para o pessoal de saúde, isso é contrário aos seus instintos. Mas a segurança não deve ser comprometida — explicou um porta-voz do sindicato à agência de notícias britânica PA.

Apesar da alta de Boris, o ministro da Saúde, Matt Hancock, descreveu este domingo como um “dia sombrio” ao anunciar que o país chegara a 10 mil mortes pela doença. Segundo Jeremy Farrar, um dos principais consultores científicos do governo, é provável que o país fique entre as nações europeias mais afetadas pelo novo coronavírus, disse em entrevista à BBC.

Farrar também afirmou que uma segunda ou terceira ondas do vírus “são provavelmente inevitáveis” e que o tratamento e a vacina são a “única estratégia de saída eficaz”. Segundo o consultor científico, uma vacina poderá estar disponível no outono, mas levaria mais tempo para ampliar sua produção na escala necessária para imunizar milhões de pessoas.

— Espero que consigamos fazer isso em 12 meses, mas isso é uma ambição sem precedentes — disse ele.

Atualmente, a Itália é o país da Europa que tem o maior número de mortes — mais de 19.000 , seguida pela Espanha, França e Reino Unido, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

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