Em entrevista concedida ao programa Arapuã Verdade, o Secretário da Fazenda, Marialvo Laureano, fez uma revelação preocupante não apenas para os servidores, mas para todo cidadão paraibano: o governo não disporá de recursos para pagar os salários do mês de maio dos servidores estaduais, caso não receba repasses do governo federal.

O secretário explicou que quase toda a receita do governo provém da arrecadação do ICMS. Com a crise do coronavírus, o secretário projeta um queda na receita de 40% em em abril, e de 60% em maio. Segundo ele, não está previsto redução de salário, mas só o mês de abril o pagamento está assegurado.

Para o salário do mês de maio, o secretário assume que o governo do estado precisará de aportes do governo federal, que pode complementar a queda do ICMS. Além disso, o secretário espera decisões favoráveis na Justiça sobre suspensão de pagamentos de precatórios das dívidas com a União e com bancos.

Secretário diz que em maio os recursos próprios do governo vão acabar

É estranho que as finanças da Paraíba agora não suportem dois meses de queda na arrecadação e o secretário já estenda o pires ao governo federal. É bom lembrar que a Paraíba foi um Estado superavitário nos últimos anos, e isso foi mantido mesmo durante a grave crise econômica que aconteceu depois de 2015, e que também reduziu fortemente a arrecadação.

Mesmo assim, o governo estadual manteve não só pagava as contas em dia, como produzia saldos mensais. Não havia mágica, mas planejamento, algo que parece ter sido abandonando pelo atual governo.

Quem acompanha o noticiário, sabe que, em dezembro de 2018, depois de um ano de eleição e depois de um mês em que normalmente aumentam as despesas públicas, o governo da época pagou tudo que devia e deixou em caixa mais de R$ 310 milhões, dos quais R$ 260 milhões João Azevedo poderia gastar livremente – ah, nessa conta, pelo que eu me lembro, não estavam incluídos os recursos provenientes de convênios, por exemplo.

O restante eram recursos do Fundeb, mais de R$ 50 milhões, parte dos quais seriam destinados a pagar salários de professor.

Ou seja, Ricardo Coutinho deixou em caixa recursos equivalentes a quase uma folha mensal.

Por que o silêncio da imprensa?

Isso explicita o que já denunciamos aqui em outras ocasiões: enquanto paralisa várias obras, incha a folha de pagamento para acomodar os novos aliados, João Azevedo está aumentado os custeios da folha, ampliando a participação no bolo orçamentário dos outros Poderes e de órgãos como o Ministério Público, e gastando mais em outras atividades, como comunicação e publicidade.

Por exemplo. No final do mês passado, o governador João Azevedo fez publicar no Diário Oficial um aumento de mais R$ 7,5 milhões para gastos com publicidade.

Dá pra levar a sério?

Isso certamente explica a onda de silêncio que toma conta da maior parte da nossa imprensa. Procurem por essa informação e você não vai achar, nem no portal da Arapuã, que rodou a entrevistas no programa de rádio.

O que vemos hoje a Paraíba é algo que jamais foi visto no passado. Jamais o paraibano viu tanta subserviência da imprensa ao governo do estado como a que presenciamos atualmente.

Durante seu governo (1995-2002), José Maranhão foi vigiado pelo cassista Sistema Paraíba.

Quando Cássio Cunha Lima governou a Paraíba entre 2003-2009 recebeu uma forte oposição do Sistema Correio, cujo dono havia sido eleito em 2002 primeiro suplente de senador de João Maranhão – quando Cássio perdeu o mandato para Maranhão, quando teve o mandato cassado em 2009, Roberto Cavalcanti, o dono do Sistema Correio, ganhou um mandato no Senado sem precisar de um voto sequer.

No caso de Ricardo Coutinho, esses dois sistemas de comunicação agiram como verdadeiros partidos políticos, sobretudo no segundo governo. Assim como as últimas cinco eleições presidenciais em que Lula (duas vezes), Dilma (duas vezes) e Bolsonaro venceram essas eleições mesmo com a oposição da Rede Globo, Ricardo Coutinho mostrou que pode governar e vencer eleições sem ter que se ajoelhar aos pés de Roberto Cavalcanti ou de Eduardo Carlos.

Tudo isso tem um custo. Alto para quem banca o Estado.

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