Um gato na Bélgica tornou-se o primeiro felino a contrair a COVID-19, a doença que deriva do novo coronavírus. De acordo com a Faculdade Veterinária da província de Liege, o animal contraiu a doença de sua dona, uma mulher que foi infectada na semana anterior. Segundo a instituição, tanto a mulher como o pet se encontram em bom estado e estão sendo monitorados desde sábado (28).

“O gato vivia com a dona, que contraiu a doença na semana anterior”, afirmou Steven Van Gucht, pesquisador da faculdade veterinária. “O gato apresentou quadro de diarreia, vômito constante e dificuldades respiratórias. Os pesquisadores encontraram sinais da COVID-19 nas fezes do animal”.

Van Guch ressalta que, apesar do caso confirmado em Liege, contaminações do SARS-CoV-2 são pontuais em animais. No mundo todo, contando com o caso deste felino, foram apenas três confirmações — as outras duas referem-se a dois cães na China. O animal belga, dizem as autoridades, passa bem.

Caso de infecção do novo coronavírus em gato na Bélgica é isolado e não muda a percepção de que animais não são vetores de transmissão, dizem especialistas. Foto: reprodução/Canal Tech

Em outras palavras, este é um caso isolado: “É válido ressaltar que, neste caso, estamos falando da transmissão de um humano para o animal, e não o contrário”, disse Van Gucht. “Não há qualquer indicação de que isso [animais contraírem a doença] seja comum. O risco de transmissão de animais para humanos é bem pequeno”, continuou o especialista.

O Conselho Nacional de Proteção do Animal na Bélgica endossou o discurso do pesquisador para dissuadir eventual desconforto da população com os animais: “[Eles] Não são vetores da epidemia, então não há motivos para abandonar o seu pet”, ressaltou a organização, que também reiterou a necessidade de serem mantidos os hábitos de higiene, ou seja, lavar as mãos antes e depois de acariciar o animal e “não esfregar o nariz nos pets”.

Jane Sykes, chefe de veterinária da Universidade da Califórnia, faz eco à percepção das autoridades belgas. Em entrevista ao Huffington Post, a especialista disse que os animais podem ser o “ponto final” da COVID-19, ou seja, eles podem acabar hospedando traços do novo coronavírus, mas não conseguem dispensá-los a ponto de infectar seres humanos.

“Não é tão surpreendente assim vermos um gato infectado”, ela disse. Segundo ela, os felinos, junto dos furões, contraíram outro tipo de coronavírus há alguns anos — o surto de SARS no início da década dos anos 2000. Mas naquela época também não houve evidências de transmissão dos gatos para o homem — sem contar que os furões ficaram bem mais doentes que os felinos, ela apontou.

Sykes ainda disse que, no caso específico do gato belga, mais testes seriam necessários, haja vista que ele apresentou sintomas mais intensos, o que leva à conclusão de que ele realmente passava por uma infecção real, diferente de outros casos em que animais contraíram a doença.

O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos — bem como diversas autoridades sanitárias ao redor do mundo — recomendam que pessoas que contraíram a COVID-19 procurem o auxílio de amigos para cuidar de seus pets, mas todos ressaltam que o risco de contaminação pelos animais é praticamente nulo.

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