Saiu hoje de manhã o resultado do exame realizado no enfermeiro paraibano Idalgo Moura dos Santos, de 45 anos, morto na noite de 31 de março no Hospital Municipal de Tatuapé, em São Paulo. O teste foi positivo para coronavírus. A família acredita que o profissional de saúde contraiu o vírus no trabalho. Ele foi internado no último dia 20 e no dia seguinte teve que ser entubado por causa da dificuldade para respirar. O quadro se agravou com a parada dos pulmões e rins, culminando com a morte às 22h da última terça-feira.

A irmã de Idalgo, a jornalista Mafalda Moura, encaminhou ao ParlamentoPB mensagens que o enfermeiro enviou ao grupo da família no WhatsApp. Ele pediu orações por sua saúde e revelou o medo de morrer vítima do Covid-19.

Em uma das mensagens, no dia 13 de março, Idalgo falou sobre sua apreensão em meio ao atendimento aos pacientes que chegavam ao Hospital do Tatuapé: “Precisamos mesmo de muita proteção…essa noite tive mais de 10 coletas para CORONA VÍRUS e nós enfermeiros somos a linha de frente. Mas, Deus no comando e na nossa proteção sempre!”. Em outra publicação, já no dia 20, ele revelou medo com os sintomas da doença que já começavam a aparecer: “Família abençoada, peço orações pela minha pessoa. Hoje não estou bem. Não não consigo trabalhar. Com febre, falta de ar. Já estou tomando toda a medicação para não piorar o quadro”.

Hoje, ao tomar conhecimento do resultado do exame, Mafalda resumiu o sentimento da família: “Agora, já não faz mais sentido. Ele virou apenas estatística e para nós saber que ele morreu com coronavírus é apenas uma informação. Não entendemos o que aconteceu. Temos a impressão que depois da repercussão da morte de Idalgo, que foi noticiada pela imprensa nacional, é que decidiram liberar o resultado do exame dele e de outras pessoas, mais 200 no mesmo hospital. Ficamos nessa angústia a semana inteira, pedindo o resultado e eles negando. Se aqui na Paraíba demora sete dias para saber o resultado, em São Paulo esse prazo é muito maior. Agora, já não tem mais importância porque ele já se foi. Nossa vulnerabilidade na situação nos deixava impotentes. Não podíamos cobrar mais porque temíamos retaliação, mas queremos acreditar que ele teve o melhor atendimento porque muitos amigos dele estavam acompanhando o caso de Idalgo e mantinham contato com nossa família. A gente se agarra a essa perspectiva”.

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