Isolamento vertical — O cirurgião Paulo Chapchap, especialista em transplantes de fígado, está na linha de frente do combate ao coronavírus no Brasil. Chapchap é diretor geral do Sírio-Libanês, um dos hospitais mais renomados do país e que, ao lado de outras instituições, pesquisa soluções e políticas efetivas para o combate à covid-19.

Para ele, que analisa o cenário do coronavírus no exterior desde o início do ano, o Brasil tem cerca de duas semanas até atingir o pico de casos do coronavírus. O médico afirma que, nesse período, o isolamento social é ainda a medida mais efetiva e sua implementação será crucial para que o Brasil evite uma grande disseminação de casos. “Se não praticarmos o isolamento social em sua intensidade máxima, vamos viver o mesmo problema que estão vivendo Espanha, Itália e Estados Unidos”, diz, citando os países com maior número recente de pacientes infectados.

Chapchap foi o convidado desta terça-feira, 31, na série exame.talks, conversando ao vivo com os repórteres Gabriela Ruic e João Pedro Caleiro sobre como a pandemia do coronavírus afeta o setor de saúde privado e as políticas públicas para o cenário no Brasil (veja o vídeo completo abaixo).

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Perguntado sobre a possibilidade de um isolamento vertical, ou seja, de somente parte da população, o médico não acredita que essa opção seja viável. “Não existe nenhuma chance de o chamado isolamento vertical funcionar no Brasil”, diz. Chapchap afirma que a única chance de isolar somente parte da população é se o Brasil conseguisse testar em massa, o que não é possível. “Não temos acesso a teste em massa de alta sensibilidade em nenhum país do mundo”.

O Brasil tem hoje 4.579 casos de coronavírus, segundo boletim de segunda-feira, 30, do Ministério da Saúde. O número de óbitos confirmados é de 159.

O médico cita países como a Alemanha, que tem baixa taxa de mortalidade, como exemplos da eficácia do isolamento social. Mesmo a Coreia do Sul, considerada modelo de plano de combate ao coronavírus e que testou um grande contingente de sua população, usou políticas de isolamento.

Chapchap elogiou as medidas de isolamento tomadas até agora em estados e municípios brasileiros. Ele afirma que nenhum sistema de saúde no mundo tem capacidade ociosa suficiente para lidar com uma pandemia desta dimensão, mesmo em países desenvolvidos. Por isso, é importante que os países hajam e evitem a disseminação de novos casos, para “achatar a curva”, isto é, evitar que o sistema de saúde fique sobrecarregado, mesmo no setor privado.

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No Brasil, um dos principais desafios será cuidar para que a população socioeconomicamente vulnerável não se contamine, sobretudo em lugares onde há pouco espaço nas casas e poucas possibilidades de isolamento social. “O Brasil tem a sorte de ter um sistema universal de saúde. Embora tenha todas as dificuldades”, diz Chapchap. “Com ele [o SUS], podemos cuidar de todos que precisam”.

Sobre as pesquisas de remédios contra a covid-19, o diretor do Sírio diz que substâncias não devem ser usadas sem receita médica. Substâncias como a cloroquina vêm sendo testadas no combate ao coronavírus. “Há pessoas tomando remédio preventivamente. Não tem absolutamente nenhum sentido. A droga é tóxica”, diz. “O pânico pode nos levar a efeitos colaterais que são muito maiores que o risco da doença para a grande maioria da população brasileira.”

O diretor do Sírio conversou ao vivo com os repórteres Gabriela Ruic e João Pedro Caleiro sobre como a pandemia do coronavírus afeta o setor de saúde privado e as políticas públicas para o cenário no Brasil. Assista à entrevista completa abaixo.

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