O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou neste sábado a importância de diminuir a circulação de pessoas para combater a disseminação do novo coronavírus e criticou carreatas que aconteceram nos últimos dias pedindo a reabertura do comércio. Movimentos do tipo aconteceram em algumas cidades do país depois que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a economia não poderia parar e defendeu o isolamento apenas de pessoas que compõem o grupo de risco, como idosos.

Mandetta e outros ministros se reuniram nesta manhã com Bolsonaro. O titular da Saúde afirmou que a realização das carreatas vai contra as orientações do ministério:

– Fazer movimento assimétrico de efeito manada agora, vamos daqui a duas semanas, três semanas… Os mesmos que falam “vamos fazer carreata de apoio, vão ser os mesmos que vão estar em casa. Não é hora agora (…) Eu espero e rezo ara aqueles que falam que não vai ser nada, que vai ser só uma… um pequeno estresse, que isso passa logo e acaba, espero e rezo todo dia para que estejam corretos nas suas avaliações.

De acordo com o ministro, a reunião com o presidente e titulares de outras pastas serviu para que fosse construída uma “unidade” de atuação. Ele defendeu que as medidas restritivas sejam reavaliadas com frequência e descartou um isolamento mais rígido em todo o território nacional – Mandetta reconheceu, no entanto, que a estratégia pode ser adotada em regiões específicas.

– Não existe quarentena vertical, horizontal, não existe nada. Existe a necessidade de arbitrar num determinado tempo qual a necessidade de retenção que a sociedade pode fazer. O “lockdown”, que é parada absoluta, pode vir a ser necessário em algum momento, em alguma cidade. O que não existe é lockdown em todo o território nacional ao mesmo tempo e desarticulado.

Mesmo defendendo a relevância de as pessoas permanecerem nas suas residências o quanto possível – estratégia que se opõe ao que Bolsonaro manifestou nos últimos dias –, Mandetta disse que o presidente tem razão quando se diz preocupado com a situação econômica:

– Presidente está certíssimo quando diz que a crise da economia vai matar as pessoas. E somos 100% engajados de achar as soluções junto com a equipe da economia – afirmou o ministro, que depois acrescentou: – Todo o comércio está falando “eu quero abrir”. Calma, que vamos fazer regrinha. Algumas coisas que vamos ter que colocar para serem pontos de referência. Vamos trabalhar isso bem bacana.

Mandetta citou como um exemplo prático de benefício da redução do movimento nas ruas a queda no número de acidentes de trânsito, especialmente envolvendo motos, o que contribuiu para a não ocupação de leitos hospitalares – uma das preocupações do ministério é evitar a saturação do sistema de saúde.

– Mais uma razão para que… Quando a gente determina a paralisação, imediatamente a gente percebe que diminuem os acidentes. Diminui o trauma e sobram os leitos(hospitalares) que eram ocupados pelos traumas. Ficam disponíveis para serem usados em outras situações. Há informações em alguns lugares de queda de 30%, 40% e até 50% da taxa de ocupação, o que por si só abre espaço de leitos que estavam sendo usados por pessoas politraumatizadas para serem usadas para essas viroses. É mais uma razão para a gente diminuir bastante a atividade de circulação de pessoas, no intuito de diminuir o trauma, o que também é um efeito secundário benéfico. Além do efeito de diminuir a transmissão (do coronavírus).

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

12 − três =