O presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar, em entrevista nesta terça-feira (17) para a rádio Tupi, que vê “histeria” em relação ao novo coronavírus e criticou medidas para evitar aglomerações adotadas por governadores para conter o avanço do vírus no país. Para Bolsonaro, as medidas “vão prejudicar muito a economia”.

Bolsonaro deu as declarações no dia em que fez o segundo teste para ver se foi infectado pelo coronavírus – o primeiro exame, segundo o presidente, teve resultado negativo.

Nesta terça, o Brasil passou dos 300 casos de pessoas com Covid-19 (a doença causada pelo coronavírus) e o país registrou a primeira morte de pessoa infectada, conforme informou o governo de São Paulo.

Mesmo com recomendações de afastamento social devido ao coronavírus, Bolsonaro cumprimentou apoiadores em manifestação no domingo (15) — Foto: Reuters/Adriano MachadoMesmo com recomendações de afastamento social devido ao coronavírus, Bolsonaro cumprimentou apoiadores em manifestação no domingo (15) — Foto: Reuters/Adriano Machado

Mesmo com recomendações de afastamento social devido ao coronavírus, Bolsonaro cumprimentou apoiadores em manifestação no domingo (15) — Foto: Reuters/Adriano Machado

Na entrevista, Bolsonaro foi questionado sobre a economia do país. Segundo ele, a economia “estava indo bem”, porém a pandemia do novo coronavírus provocou “uma certa histeria”.

“Olha, a economia estava indo bem, fizemos algumas reformas, os números bem demonstravam taxa de juros lá embaixo, o risco, a confiança no Brasil, a questão de risco Brasil também. Então, estava indo bem. Esse vírus trouxe uma certa histeria”, disse.

Sem citar nomes, Bolsonaro criticou medidas de restrição de circulação de pessoas, adotadas pelos estados. Governadores de diferentes estados suspenderam aulas, recomendaram cancelamento de atividades em cinemas e teatros. O Rio, por exemplo, determinou a redução de 50% da frota e ônibus, barcas, trens e metrô.

“Tem alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, mas estão tomando medidas que vão prejudicar em muito a nossa economia”, afirmou o presidente.

Bolsonaro afirmou que o transporte público em cidades como Rio e São Paulo está “lotado”.

“A vida continua, não tem que ter histeria. Não é porque tem uma aglomeração de pessoas aqui ou acolá esporadicamente. Tem que ser atacado exatamente isso, tirar a histeria”, argumentou.

Bolsonaro também criticou o fechamento, por tempo indeterminado, da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Segundo a feira, a ação cumpriu “determinação do prefeito Marcello Crivella, que decidiu abranger a determinação de não aglomeração para todos equipamentos culturais da Prefeitura do Rio de Janeiro”.

“Agora, prejudica, eu vi, não sei se é verdade, que a nossa feira dos nordestinos está proibida de funcionar. Eu não sei, isso é uma histeria. Porque o cara não vai na feira do nordestino, ele vai na esquina ali comer um churrasquinho de gato, ou vai em um outro local qualquer e vai se juntar. Cara não vai ficar em casa. Então, essa histeria leva a um baque da economia. Alguns comerciantes acabam tendo problemas”, reclamou Bolsonaro.

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O presidente voltou a mostrar discordância com a suspensão de partidas de futebol, adotada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e por algumas federações estaduais, a exemplo do que já ocorreu com ligas europeias.

Para o presidente, sem os jogos, alguns trabalhadores ficarão sem fonte renda, o que terá impacto na saúde dos mesmos, que ficarão mais propensos a complicações pela Covid-19.

Questionado se o Brasil está preparado para enfrentar a pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro afirmou que o Brasil teria de encarar a situação, mas considera errado o que classifica como “histeria”.

“O que está acontecendo. Nós íamos passar por isso. Começou na China, foi para outros países da Europa e iríamos passa por isso. Agora, o que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo”, declarou.

De acordo com Bolsonaro, o país “estará livre” do novo coronavírus no momento em que “um certo número de pessoas forem infectados e criarem anticorpos”, o que serviria de “barreira para não infectar quem não foi infectado ainda”.

Segundo o presidente, o avanço da pandemia precisa ser diluído para que as pessoas sejam infectadas ao longo de seis a oito meses.

“Como está vindo, ela tem que ser diluída, em vez de uma parte da população ser infectada em um período de dois, três meses, e vai ser, que seja entre seis, sete, oito meses”, disse.

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