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Publicado em 11/07/2019 15h47

Por que crânio achado na Grécia pode reescrever nossa história?

Acredita-se que um crânio escavado na Grécia seja de 210 mil anos atrás, uma época em que a Europa era ocupada pelos neandertais.

Ouça o áudio:  Por que crânio achado na Grécia pode reescrever nossa história?

Apidima 1 (ilustrada aqui em uma reconstrução) tem todas as características de um crânio humano moderno, segundo pesquisadores â?? Foto: Katerina Harvati, Eberhard Karls Uni Tub/Divulgação

Apidima 1 (ilustrada aqui em uma reconstrução) tem todas as características de um crânio humano moderno, segundo pesquisadores — Foto: Katerina Harvati, Eberhard Karls Uni Tub/Divulgação

 

Pesquisadores encontraram o mais antigo exemplo da nossa espécie (humanos modernos) fora da África.

Acredita-se que um crânio escavado na Grécia seja de 210 mil anos atrás, uma época em que a Europa era ocupada pelos neandertais.

Por isso, a descoberta representa uma evidência de que houve uma migração anterior de pessoas partindo da África, que não teriam deixado vestígios no DNA de pessoas vivas hoje. Os resultados foram publicados na revista "Nature".

Pesquisadores descobriram dois fósseis significativos na caverna de Apidima, na Grécia, na década de 1970, e estavam guardados em um museu do país, até serem reexaminados, mais recentemente.

Um deles estava muito danificado e o outro, incompleto. Foram necessários tomografia computadorizada e exames com urânio para desvendar as informações contidas ali.

 
Apidima 2 parece ser de um neandertal e é um crânio mais novo que o moderno crânio humano encontrado junto — Foto: DivulgaçãoApidima 2 parece ser de um neandertal e é um crânio mais novo que o moderno crânio humano encontrado junto — Foto: Divulgação

Apidima 2 parece ser de um neandertal e é um crânio mais novo que o moderno crânio humano encontrado junto — Foto: Divulgação

 

O crânio mais completo parece ser um neandertal, segundo os pesquisadores. Mas o outro mostra características de humanos modernos.

E o principal: o crânio do neandertal era mais novo.

Isso pode mudar o entendimento sobre as teorias a respeito de migração para fora da África.

 

"Agora, trabalhamos com o cenário de que havia um grupo moderno na Grécia 210 mil anos atrás, mas que foi posteriormente substituída por uma população neandertal (Apidima 2) há cerca de 170 mil anos", disse o co-autor do estudo, professor Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres.

 

As populações fora da África hoje traçam sua ancestralidade a uma migração que deixou o continente africano há 60 mil anos.

À medida que esses humanos modernos se expandiram pela Eurásia (Europa e Ásia), eles substituíram outras espécies que encontraram, como os neandertais e os denisovanos.

Mas essa não foi a primeira migração dos humanos modernos (Homo sapiens) da África.

Fósseis de Homo sapiens encontrados em Skhul e Qafzeh, em Israel, foram avaliados na década de 1990 e datados de 90 mil e 125 mil anos atrás. E, na época, foram vistos como uma anomalia, como se tivesse acontecido uma breve incursão fora do continente africano.

No entanto, nos últimos anos passamos a entender que nossas espécies estiveram fora da África ainda mais cedo do que imaginávamos e foram mais longe do que acreditávamos anteriormente.

Nos últimos anos, paleontologistas descobriram fósseis humanos modernos em Daoxian e Zhirendong, na China, que datam de 80 mil e 120 mil anos atrás.

Estudos de DNA revelaram sinais de cruzamento entre os humanos africanos e os neandertais. Evidências de neandertais alemães mostram que a mistura ocorreu entre 219 mil e 460 mil anos atrás - embora não esteja claro se o Homo sapiens estava envolvido, ou outro grupo africano primitivo.

 
 
 Reconstrução de um homem de Neandertal (esq.) e mulher (dir.) no Museu de Mettmann, na Alemanha, em 2009  — Foto: Federico Gambarini / DPA / Arquivo AFP
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