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João Pessoa, 26 de Agosto de 2019.



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Publicado em 16/05/2019 07h58

Até onde irá a força das ruas? Por Helio Gurovitz

A dúvida é se estamos diante de uma nova onda de protestos, como em 2013 ou 2015. Ao chamar os manifestantes de "idiotas úteis", Bolsonaro atiça a fogueira que poderá queimá-lo

Ouça o áudio:  Até onde irá a força das ruas? Por Helio Gurovitz

 
Nas ruas, no Congresso e na Justiça, o governo Jair Bolsonaro enfrenta desafios gigantescos. O dia de ontem levantou uma dúvida concreta sobre sua capacidade de enfrentá-los. A principal pergunta ainda sem resposta é simples: até onde irá a pressão sobre o governo?
 
Os protestos em defesa das verbas para a educação, que tomaram conta de 200 cidades brasileiras, serão a semente de uma ameaça real capaz de derrubar Bolsonaro? Serão um movimento de massas recorrente, como em 2013 e 2015, ou se dissolverão no oceano difuso das reivindicações políticas por interesses específicos?
 
A reação do presidente, ao chamar os manifestantes de “imbecis”, “idiotas úteis” e “massa de manobra”, traduz desprezo. Bolsonaro parece acreditar que se trata apenas de uma mobilização de esquerda, incapaz de atingir o núcleo que irrompeu nas ruas em 2013, voltou em 2015 para derrubar Dilma Rousseff e apostou nele contra o PT nas eleições.
 
Trata-se de um equívoco enorme. Apesar de contaminado por oportunistas que brandiam faixas contra a reforma da Previdência ou em prol da libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a alma dos protestos era outra: a defesa da educação.
 
Predominavam nos cartazes slogans como “Mais educação, menos armas”; “Me livro de armas e me armo de livros”; “Educação não é gasto, é investimento”; “Educação não é mercadoria”. Bolsonaro tem o direito de pensar o que quiser dos manifestantes, mas tem obrigação de entender o recado das ruas.
 
 
Para a economia brasileira e para o futuro do país, a educação é incomensuravelmente mais importante que a (necessária) reforma da Previdência ou qualquer outra imposição da (urgente) agenda de equilíbrio nas contas públicas. Tratar a questão como um embate ideológico, como faz o governo desde o início, demonstra apenas ignorância. Somada à inépcia de Bolsonaro para a política, poderá selar uma sentença fatal para seu governo.
 
As duas outras fontes de ameaça, menos rumorosas, mas também relevantes, também se manifestaram ao longo do dia de ontem. No front da Justiça, vieram à tona detalhes do pedido de quebra do sigilo bancário do senador Flávio Bolsonaro, de seu ex-assessor Fabrício Queiroz e de dezenas de assessores – cinco dos quais trabalharam no gabinete da Câmara do próprio Bolsonaro.
 
O Ministério Público carioca viu indícios de uma “organização criminosa” no gabinete de Flávio, revelou o jornal O Globo. Flávio é ainda acusado, de acordo com a revista Veja, de ter movimentado R$ 9,4 milhões em 19 transações imobiliárias suspeitas, em que obteve lucros da ordem de R$ 3,1 milhões, que levantam fortes indícios de “lavagem de dinheiro”.
 
Mesmo que as investigações não venham a atingir diretamente o presidente, é impossível evitar que ele seja contaminado pelo noticiário negativo, já que foi eleito empunhando a bandeira do combate à corrupção e prometeu promover uma devassa contra corruptos. Que acontece se ficarem comprovadas maracutaias de seu próprio filho?
 
No front parlamentar, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, se viu obrigado a comparecer para prestar esclarecimentos sobre os cortes na sua pasta. Não passou a mesma vergonha que seu antecessor, Ricardo Vélez. Mesmo assim, era evidente o clima de confronto. Sem base parlamentar consolidada, o governo foi desafiado pelos próprios aliados, que garantiram ter ouvido de Bolsonaro a confirmação do cancelamento dos cortes.
 
As dificuldades de relacionamento de Bolsonaro com o Congresso são evidentes desde o início do governo. Não custa lembrar que, no período democrático, todos os presidentes que decidiram enfrentar o Congresso caíram. A situação só tem piorado, como demonstra a sucessão de episódios de conflito entre Executivo e Legislativo:


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