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João Pessoa, 16 de Outubro de 2019.



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Publicado em 28/03/2019 09h56

Parlamento britânico rejeita todas as propostas apresentadas como opções ao Brexit

Em uma votação de opções ao Brexit, o Parlamento britânico rejeitou nesta quarta-feira (27) todas as oito propostas apresentadas.

Ouça o áudio:  Parlamento britânico rejeita todas as propostas apresentadas como opções ao Brexit

Imagem da internet

Em uma votação de opções ao Brexit, o Parlamento britânico rejeitou nesta quarta-feira (27) todas as oito propostas apresentadas (veja abaixo quais eram e os placares).

Após a divulgação dos resultados, os parlamentares iniciaram um acalorado debate sobre seus próximos passos, mas não chegaram a uma conclusão. Inicialmente, eles deveriam votar novamente as opções com mais aceitação na próxima segunda-feira, 1º de abril, e definir aquela com a maior aprovação.

Esta seria encaminhada à primeira-ministra Theresa May, para que ela a negociasse com a União Europeia. A premiê disse que iria considerar o que fosse determinado, mas se recusou a garantir um compromisso com o resultado.

O líder da Câmara baixa, John Bercow, afirmou que irá permitir que as propostas sejam novamente apresentadas na segunda-feira, apesar de protestos de diversos parlamentares.

Os parlamentares não votaram novamente o acordo que a May fechou com a União Europeia em novembro de 2018, e que eles já rejeitaram duas vezes, em 15 de janeiro e em 12 de março.

Na manhã desta quarta, May havia voltado a defender o acordo no Parlamento e se opôs a ideia de um novo referendo, lembrando que a saída da União Europeia foi resultado de consulta popular. A premiê insistiu que as outras opções estudadas pelos parlamentares poderiam conduzir a um atraso do Brexit ou mesmo a não concretização do processo.

Parlamento britânico durante sessão em que foram discutidas alternativas ao Brexit, na quarta-feira (27), em Londres — Foto: Mark Duffy/AFP/UK ParliamentParlamento britânico durante sessão em que foram discutidas alternativas ao Brexit, na quarta-feira (27), em Londres — Foto: Mark Duffy/AFP/UK Parliament

O Reino Unido tem até 12 de abril para informar o Conselho Europeu sobre o que pretende fazer em relação aos seus planos para deixar o bloco. A data foi acordada quando a União Europeia concordou em adiar a saída, marcada inicialmente para 29 de março.

Isso só não será necessário se o acordo de Theresa May for aprovado. Nesse caso, o Brexit acontece em 22 de maio. Essas datas foram ratificadas nesta quarta-feira pelo Parlamento britânico, por 441 votos a favor e 105 contra.

As oito propostas apresentadas nesta quarta-feira eram as seguintes:

 

  • Saída sem acordo, o que os próprios parlamentares britânicos rejeitaram em votação anterior. Esse cenário é considerado o mais caótico por economistas e políticos do Reino Unido, uma vez que haveria indefinição sobre vários temas – do comércio ao trânsito de pessoas – após o Brexit - reprovada por 400 votos contra e 160 a favor;
  • 'Mercado comum 2.0': sem fazer parte da União Europeia, o Reino Unido manteria laços com o bloco a partir de um mercado comum. Assim, o país faria parte da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês) sem manter, em contrapartida, uma união aduaneira com a UE - reprovada por 283 votos contra e 188 a favor;
  • EFTA e EEA: esta outra opção incluiria o Reino Unido também no Espaço Econômico Europeu (EEA, na sigla em inglês). A situação britânica, portanto, ficaria semelhante à da Noruega, que não integra a União Europeia mas se mantém próxima economicamente do bloco - reprovada por 377 votos contra e 65 a favor;
  • Plano alternativo do Partido Trabalhista: segundo o jornal "The Guardian", o partido de oposição a May pretende firmar novos acordos com a União Europeia como tratados comerciais, alinhamento com normas definidas pelo bloco e participação em agências e fundações europeias - reprovada por 307 votos contra e 237 a favor;
  • Revogação do artigo 50, que, na prática, interromperia o Brexit. É improvável que essa emenda seja aprovada, uma vez que reverteria uma decisão votada em referendo. Os parlamentares favoráveis à medida, porém, defendem que parar o Brexit evitaria uma saída da União Europeia sem acordo e, portanto, um cenário de incerteza para o Reino Unido - reprovada por 293 votos contra e 184 a favor;
  • Referendo para confirmar a decisão do Parlamento: na prática, qualquer decisão sobre o Brexit tomada pelos parlamentares terá de passar por referendo popular - reprovada por 295 votos contra e 268 a favor;
  • Planos de contingência com a União Europeia, ou seja, o governo britânico poderá fazer acordos pontuais com o bloco caso a proposta principal firmada entre May e os líderes europeus não passe de jeito nenhum - reprovada por 422 votos contra e 139 a favor.

 

 
A primeira-ministra britânica Theresa May discursa no Parlamento, em Londres, na quarta-feira (27), durante discussões sobre o Brexit — Foto: Mark Duffy/AFP/UK ParliamentA primeira-ministra britânica Theresa May discursa no Parlamento, em Londres, na quarta-feira (27), durante discussões sobre o Brexit — Foto: Mark Duffy/AFP/UK Parliament

 

Renúncia ao cargo

 

Pela manhã, a premiê se reuniu com parlamentares conservadores e admitiu que vai deixar o cargo assim que o acordo sobre o Brexit for aprovado. "Eu estou preparada para deixar este trabalho mais cedo do que eu pretendia para fazer o que é certo para nosso país e nosso partido", declarou May, segundo um trecho do discurso divulgados pelo escritório da primeira-ministra.

"Ela disse que não vai ficar para a próxima fase de negociações. Se aprovarem o acordo, ela sai. Nenhuma escala de tempo foi discutida ou apresentada. A condição era que se ela conseguisse um acordo, isso iniciaria o processo para encontrar um novo líder quase que imediatamente", descreveu o parlamentar conservador Simon Hart à rede americana CNN.

 

Apelo aos eurodeputados

 

Nesta quarta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu aos eurodeputados que permaneçam abertos a um adiamento longo do Brexit enquanto o Reino Unido reconsidera sua posição, com uma advertência contra a traição aos eleitores pró-União Europeia.

"Deveríamos estar abertos a uma longa prorrogação se o Reino Unido deseja reconsiderar sua estratégia do Brexit, o que certamente significaria a participação do Reino Unido nas eleições para a Eurocâmara de 23 a 26 de maio", afirmou Tusk.

 

Fonte: Da internet
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