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Publicado em 08/11/2018 13h51

Índia da equipe de Jair Bolsonaro já atuou com Cauã Reymond e foi moradora de rua

Entre as quatro mulheres que integram a equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro, uma chama mais atenção.

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Imagem da internet

Entre as quatro mulheres que integram a equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro, uma chama mais atenção. Trata-se da índia Silvia Nobre Waiãpi, de 42 anos. Além de ser a primeira indígena a integrar o Exército (ela é segunda tenente), Silvia tem um passado como atriz. Seu último trabalho na televisão foi como Domingas, a empregada da casa do protagonista Cauã Reymond na série “Dois irmãos”, de 2015.

Antes disso, Silvia já tinha trabalhado em “Uga uga”, de 2000, onde ficou famosa como a Índia Crocoká, que tinha dentes pavorosos e protagonizava cenas hilárias correndo atrás de Marcos Pasquim.

Silvia Nobre Waiãpi como a índia Crocoká de “Uga uga”
Silvia Nobre Waiãpi como a índia Crocoká de “Uga uga”

A interpretação, no entanto, não resume nem metade da história de vida de Silvia. Aos 3 anos, ela foi adotada e aos 7, começou a frequentar a escola. “Eu queria estudar. Queria conhecer as letras”, contou ela em entrevista a Jô Soares, em 2012.

Foi nessa época que Silvia conheceu o bullying. De alunos e professores. “Eu só tinha uma camisa com um botão nas costas. Ia com ela para as aulas e achava linda, a minha melhor roupa. Notava que era deixada pelos grupos de alunos porque era pobre”, descreve ela na mesma entrevista: “Lembro que toda semana havia o hasteamento da bandeira e passei anos puxando a saia das professoras para que me deixassem fazer aquilo. Nunca deixaram. Nunca entendi por que me chamavam de legítima brasileira se nem isso eu podia fazer”.

Silvia Nobre Waiãpi: a tenente da equipe de Jair Bolsonaro já atuou na TV
Silvia Nobre Waiãpi: a tenente da equipe de Jair Bolsonaro já atuou na TV

Aos 13 anos, Silvia teve uma filha. Antes disso, quase morreu ao ter o abdômen perfurado por um pedaço de madeira na floresta em que vivia. Aos 14, ela fugiu da aldeia e foi parar no Rio de Janeiro. Ficou dois meses morando na rua e passou fome até vender uma pedra que trazia de sua tribo. “Só tinha aquilo de valor. Uma pedra que peguei no fundo do rio e tomei como um amuleto. Eu acreditava que ela tinha poderes mágicos e a vendi assim. Com o dinheiro consegui comer por duas semanas”, recorda.

Silvia contou a Jô Soares que se foi capaz de vender uma pedra, poderia vender qualquer coisa. Um camelô arrumou um lugar para ela morar, ela saiu vendendo livros e revistas velhos até conseguir emprego no Círculo do Livro. Foi lá que a incentivaram a estudar artes.

Silvia Nobre Waiãpi foi a primeira indígena a integrar o exército
Silvia Nobre Waiãpi foi a primeira indígena a integrar o exército

Silvia mantinha um blog no qual escrevia poesias e em sua descrição no Facebook, ela diz: “Eu sou a onça que caça e sangra... Aquela que rola no chão sem medo enquanto a caça se debate!”. Não é figura de linguagem apenas. A índia se tornou atleta depois de quase sofrer um estupro. Foi medalhista de atletismo pelo Vasco da Gama e conseguiu uma bolsa de estudos para cursar a faculdade de Fisioterapia. Depois da graduação prestou concurso para o Exército e finalmente pôde realizar o sonho de hastear uma bandeira. “Acordo todos os dias pensando que vou mudar meu país”, garantiu ela em outra entrevista.

Mãe de três filhos e avó de uma neta, Silvia dá expediente no Hospital do Exército, em Benfica, na Zona Norte do Rio, e até ser convocada por Bolsonaro trabalhava de domingo a domingo fazendo pesquisa na área de reabilitação de lesões medulares.

Fonte: Da internet
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