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João Pessoa, 19 de Setembro de 2019.



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Publicado em 02/10/2018 14h47

Pesquisadoras brasileiras desenvolvem pão feito com farinha de barata

Baratas cinérias, de origem africana e criadas em laboratório, são próprias para consumo humano e ricas em proteína - têm até mais do que a carne vermelha.

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Preocupadas com a possível escassez de alimentos e proteína animal dentro dos próximos 30 anos por conta do aumento da população mundial, pesquisadoras da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), no Rio Grande do Sul, desenvolveram um pão elaborado com farinha de barata desidratada.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que até 2050 a população terá aumentado em 32%, alcançando cerca de 9,7 bilhões de pessoas e, por isso, passou a recomendar a introdução de insetos na alimentação humana - os bichinhos são ricos em proteínas, existem em abundância e custam pouco.

Mas antes de fazer cara de asco pensando nas baratas cascudas que circulam pelos esgotos das cidades, saiba que as baratas usadas na pesquisa são as chamadas baratas cinéria (Nauphoeta cinérea), de origem africana, produzidas em cativeiro e próprias para consumo humano, ao contrário da barata doméstica (Periplaneta americana) comum, de origem americana.

 
Para fazer os pães, as pesquisadoras trituraram as baratas em um moinho de bolas — Foto: Divulgação/BBCPara fazer os pães, as pesquisadoras trituraram as baratas em um moinho de bolas — Foto: Divulgação/BBC

Para fazer os pães, as pesquisadoras trituraram as baratas em um moinho de bolas — Foto: Divulgação/BBC

A escolha da barata para o estudo tem duas razões especiais: além de ser uma importante fonte proteica (tem cerca de 70% de proteínas, contra 50% da carne bovina), a barata existe há milhões de anos e preservou suas características genéticas mesmo com todo processo de evolução.

"Alguma coisa muito boa elas possuem para passarem pela evolução sem precisar se adaptar aos ambientes", afirma a engenheira de alimentos Andressa Jantzen da Silva Lucas, uma das responsáveis pela pesquisa, ao lado da engenheira de alimentos Lauren Menegon de Oliveira.

 

O processo de fabricação

 

As pesquisadoras compraram as baratas desidratadas de um criador certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que fica em Betim (MG). O inseto pode ser comprado vivo também, mas Andressa diz que o transporte seria mais difícil. O quilo da barata desidratada custou R$ 200.

As baratas foram moídas em um moinho de bolas, um equipamento especializado para moer matérias sólidas e obter partículas pequenas. O material obtido foi peneirado para ficar homogêneo.

Por fim, na receita tradicional do pão, as pesquisadoras adicionaram 90% de farinha de trigo comum e 10% de farinha de barata desidratada.

O resultado foi surpreendente: "Com a adição de 10% da farinha de barata, o teor proteico do pão aumentou 133%", afirmou Andressa.

Para efeito de comparação, uma fatia de 100 gramas do pão caseiro feito com farinha tradicional tem 9,7 gramas de proteínas, enquanto uma fatia de 100 gramas do pão de barata tem 22,6 gramas de proteína.

"Além disso, no pão feito com a farinha de barata reduzimos em 68% a quantidade de gordura adicionada na receita, pois aproveitamos a gordura presente na farinha de barata", afirmou a pesquisadora.

 
As baratas cinéreas, de origem africana e produzidas em laboratório, são próprias para consumo humano — Foto: Divulgação/BBCAs baratas cinéreas, de origem africana e produzidas em laboratório, são próprias para consumo humano — Foto: Divulgação/BBC
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