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João Pessoa, 25 de Junho de 2019.



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Publicado em 08/07/2018 12h01

Relator da Lava-Jato que prendeu Cacciola, Abel Gomes vai decidir futuro de Picciani e Paulo Melo

Magistrado é avesso à exposição e mudou hábitos por causa da repercussão dos holofotes.

Ouça o áudio:  Relator da Lava-Jato que prendeu Cacciola, Abel Gomes vai decidir futuro de Picciani e Paulo Melo

A voz é mansa. Os votos, longos. O estilo do desembargador Abel Gomes é conhecido no Judiciário do Rio. E, nos próximos meses, vai ganhar protagonismo. Ex-professor de Educação Física que trocou os halteres pelos livros de Direito ainda na juventude, o magistrado tornou-se relator na segunda instância dos processos da Lava-Jato no Rio. A aposta é que, em agosto, o principal deles entre em julgamento. A ação da Operação Calicute que rendeu ao ex-governador Sérgio Cabral sua maior pena: 45 anos e dois meses de prisão.

Antes disso, precisamente amanhã, o magistrado vai conduzir os interrogatórios dos deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do MDB, no processo da Operação Cadeia Velha, no qual são acusados de receber propina de empresários do setor de transportes.

É essa ação que faz de Abel o único desembargador em todo o Brasil com competência originária em um caso da Lava-Jato. Em outras palavras, é o único nessa função designado a instruir um processo do escândalo em sua primeira fase. Geralmente, essa atribuição é dos juízes de primeira instância, mas, como os réus têm foro, o processo caiu nas mãos de Abel. O caso deve julgado pelos três desembargadores da 1ª Turma Especializada até dezembro, quando o trio perde a prerrogativa de foro.

Aos 59 anos, Abel já teve outros casos rumorosos sobre sua mesa. Quando ainda era da primeira instância, mandou prender Salvatore Cacciola em 2000. O banqueiro já foi condenado pelo juiz. Abel atuou no caso do Banco Nacional, conduzindo o processo contra 15 ex-dirigentes acusados de gestão temerária do banco. Como desembargador, foi relator no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) do caso do propinoduto, esquema de corrupção na Fazenda do Rio, descoberto em 2002.

 magistrado construiu a carreira na área criminal desde antes de integrar os quadros da Justiça. Foi defensor público entre 1990 e 1993 e gostava de atuar no tribunal do júri. Quando ganhou a vaga de juiz federal, rapidamente conseguiu migrar da área cível para a criminal. O posto de desembargador veio em 2005. Em dezembro deste ano, por causa da ordem de antiguidade semelhante à usada no Supremo Tribunal Federal, deve ser eleito vice-presidente do TRF-2, e assumir em abril a nova função. Com isso, suas ações migram para um colega.

Como desembargador, não foram tantas as decisões polêmicas, mas, entre elas, está uma de 2014, quando votou pelo trancamento da ação penal contra militares no caso do atentado no Riocentro por entender que o crime estava prescrito. Por suas decisões, é tido como um magistrado linha-dura. Mas ele costuma ser classificado por outro adjetivo:

— Ele é muito técnico. Isso não é muito bom para a defesa (na hora de recorrer). Recebe os advogados com cordialidade, sempre com algum assessor ao lado. Ouve atentamente, embora o resultado normalmente seja negativo — conta a advogada de um dos réus da Lava-Jato.

Os relatos sobre a personalidade de Abel são muito semelhantes de onde quer que venham — da magistratura, da advocacia ou da Procuradoria. E todos dão a mesma explicação: o desembargador é político, do tipo que vê além e não se indispõe.

— Abel é muito habilidoso politicamente. Sabe enxergar as perspectivas, se antecipa — disse uma pessoa que conhece o magistrado há mais de duas décadas.

Auxílio-moradia de R$ 4,3 mil

Essa habilidade é reforçada pelo trato e humor do desembargador. No Facebook, por exemplo, ele brinca com o fato de os amigos elogiarem sua foto de perfil: “Calma, calma, meninas e rapazes... Depois eu dou a fórmula...”.

No tribunal, mantém o estilo discreto, mesmo diante dos holofotes da Lava-Jato. É avesso à exposição e mudou hábitos em função do caso famoso — seja para preservar a segurança ou por causa do volume de trabalho que, vez ou outra, o impede de ouvir as bandas preferidas de rock, de Pink Floyd a AC/DC. Mudaram também as idas à academia, a corrida, as aulas de karatê, costumes que lhe restaram dos tempos da Educação Física. Nessa época, ele chegou a dar aula na renomada escola de teatro O Tablado.

Desse período, Abel mantém o hábito de usar tênis e roupas esportivas quando está fora do tribunal. Dentro, só usa os ternos e camisas confeccionadas pelo pai, um alfaiate português que, até hoje, tem uma loja na Zona Sul do Rio, região em que o magistrado foi criado e estudou, primeiro no Santo Inácio e, depois, na Universidade Cândido Mendes.

A ligação com Portugal aparece na paixão pelo Vasco e nas idas ao país europeu nas férias, acompanhado da mulher, a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Jacqueline Montenegro, com quem está há 26 anos, desde os tempos de Defensoria Pública e com quem tem um casal de gêmeos de 11 anos. Por ser casado com uma desembargadora, Abel obteve, em agosto do ano passado na Justiça, em uma ação na qual outros colegas também são parte, o direito ao auxílio-moradia de R$ 4,3 mil. Na época em que O GLOBO publicou a notícia, Abel disse estar convicto do seu direito ao benefício, motivo pelo qual o pediu.

Em respeito à Legislação Eleitoral, o Portal Tony Show não publicará os comentários dos leitores. O espaço para a interação com o público voltará a ser aberto logo que as eleições de 2018 se encerrem.
 

Fonte: Da Internet
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