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Publicado em 30/05/2018 13h33

Entenda por que a crise política na Itália tem potencial explosivo para a economia global

A Itália está envolvida em uma disputa de poder entre populistas eurocéticos – vencedores das eleições de março – e políticos pró-União Europeia.

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Itália está envolvida em uma disputa de poder entre populistas eurocéticos – vencedores das eleições de março – e políticos pró-União Europeia.

Foram necessárias semanas de negociações para que uma coalizão populista se formasse, mas o presidente, Sergio Mattarella, a vetou de maneira controvertida e a situação voltou à estaca zero.

Agora, o país enfrenta um governo interino - ainda não empossado - antes de partir para novas eleições.

O que faz disso uma crise?

A economia da Itália – a terceira maior da zona do euro – está anêmica há anos.

A União Europeia e os mercados globais estão assistindo a isso nervosamente. A crise da dívida da zona do euro em 2010/2011 foi remendada, mas não resolvida.

A rejeição de Mattarella à escolha dos populistas para o Ministério da Economia – com o nome de Paolo Savona – expôs as tensões sobre o euro. O economista de 81 anos indicado para o cargo havia defendido um "plano B" para a Itália sair do euro.

Os populistas "antiestablishment", o Movimento 5 Estrelas e a Liga Norte (ou simplesmente A Liga), ficaram enfurecidos com o veto do presidente.

O recém-designado primeiro-ministro, Carlo Cottarelli, é um ex-funcionário do FMI (Fundo Monetário Internacional), próximo de tecnocratas de Bruxelas, pró-euro e pró-austeridade. Ele é conhecido na Itália como "Senhor Tesoura", porque foi responsável por rever as despesas públicas do país no governo de Enrico Letta, em 2013.

Quão grave é a crise?

Muito grave. Mas a Itália não está desacostumada à turbulência política. Desde a Segunda Guerra Mundial, o país já teve 64 governos.

O líder do Movimento 5 Estrelas, Luigi Di Maio, pediu o impeachment de Mattarella. O líder da Liga, Matteo Salvini, insinuou que a Alemanha esteja por trás do veto do presidente ao nome de Savona.

Luigi Di Maio (2º da esq. para direita) é membro do Movimento Cinco Estrelas e vice-presidente da Câmara de Deputados italiana  (Foto: Max Rossi/Reuters)

Luigi Di Maio (2º da esq. para direita) é membro do Movimento Cinco Estrelas e vice-presidente da Câmara de Deputados italiana (Foto: Max Rossi/Reuters)

Apesar do histórico de crises, a atual tem traços relativamente novos para a Itália. Os populistas ganharam um mandato popular sem precedentes para governar - é a primeira vez que conseguiram isso desde a Segunda Guerra Mundial.

O governo provisório proposto terá de agir com cautela. Cottarelli diz que novas eleições serão realizadas no início de 2019, ou depois de agosto, se ele não sobreviver a um voto de confiança. Esta última hipótese parece a mais provável.

Alguns italianos já suspeitam de uma trama planejada pela UE, depois do que ocorreu em 2011. Naquela época, a Itália estava sendo punida pelos mercados globais - ela corria o risco de inadimplência à medida que as taxas de juros de seus títulos do governo disparavam. O então primeiro-ministro Silvio Berlusconi foi destituído e substituído pelo ex-comissário da UE Mario Monti.

 
Matteo Salvini em entrevista coletiva na Itália (Foto: Reuters/Stefano Rellandini)
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