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Publicado em 18/11/2017 10h23

Na Justiça, Bebel Gilberto assume controle da vida do pai, João Gilberto

Na milionária e interminável briga familiar pela vida e obra de João Gilberto, 86, sua filha mais velha, Bebel, ganhou o round mais recente: conseguiu na Justiça a curatela provisória do pai, por 120 dias.

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Na Justiça, Bebel Gilberto assume controle da vida do pai, João Gilberto
 
Na milionária e interminável briga familiar pela vida e obra de João Gilberto, 86, sua filha mais velha, Bebel, ganhou o round mais recente: conseguiu na Justiça a curatela provisória do pai, por 120 dias.
 
Com isso, pode decidir por ele sobre assinaturas de contratos e movimentações financeiras. A decisão a favor da cantora foi noticiada pelo colunista Ancelmo Gois, de "O Globo". O processo corre em segredo de Justiça.
 
"João Gilberto está sob a curatela de Bebel. Ele apresenta, há alguns anos, um quadro confusional que não o permite compreender com clareza os atos jurídicos que lhe são solicitados por terceiros, resultando numa situação atual de absoluta penúria financeira", afirmou a advogada Simone Kamenetz, que representa Bebel.
 
Em junho, a Folha noticiou que os filhos mais velhos de JG –além da cantora, o primogênito João Marcelo Gilberto, de mães distintas— buscavam interditá-lo judicialmente para impedir que ele tomasse novas decisões sobre seu patrimônio sem o aval deles.
 
O catalisador dessa iniciativa foi um contrato que João assinou com o banco Opportunity sob influência de Claudia Faissol, mãe e representante de sua filha caçula, Luiza, a quem os outros dois se opõem.
 
O contrato, ao qual a Folha teve acesso, previa um empréstimo de R$ 10 milhões em duas parcelas iguais. A primeira foi paga na data da assinatura; a segunda ainda não saiu e é o foco da discórdia atual.
 
Pelo empréstimo, o banco levou 60% dos direitos autorais dos quatro primeiros discos de João, tornando-se responsável por administrá-los.
 
O Opportunity também assumiu uma briga judicial que se arrasta há mais de 20 anos, contra a gravadora EMI, por royalties não pagos e lançamentos de CDs não autorizados, e ficará com metade da indenização, que ainda será determinada pela Justiça.
 
Os filhos mais velhos, que vivem em Nova York, acusam Claudia Faissol, que é a pessoa mais próxima de JG no dia a dia, de estar induzindo o cantor a tomar más decisões artísticas e financeiras.
 
"Eu e Bebel só estamos precisando tomar conta da situação e afastar oportunistas", disse João Marcelo à Folha em junho, referindo-se à decisão de interditar judicialmente seu pai.
 
Procurado novamente para esta reportagem, ele não respondeu. Sua irmã e Claudia Faissol tampouco o fizeram.
 
Ao assumir o controle da vida de seu pai, Bebel Gilberto pode frear iniciativas comerciais que vinham sendo planejadas por Faissol e das quais discorda, como novos shows e a criação de um holograma do cantor.
 
"O holograma é uma ideia para perpetuar a obra de João e trazer a ele a dignidade com a qual merece viver", disse Faissol à Folha, em junho. "Esse projeto ainda está em fase de elaboração, mas não houve negociação com investidores."
 
João Marcelo irritou-se ao saber da iniciativa. "Foi uma surpresa, nunca vi um show em holograma de um artista vivo. E um susto com as altas cotas de patrocínio que foram oferecidas ao mercado."
 
CONTRATO FIRMADO
 
Ainda que tenha garantido judicialmente a curatela temporária de seu pai —decisão de que Claudia Faissol pode recorrer—, Bebel dificilmente conseguirá anular contratos firmados anteriormente, como o do Opportunity.
 
Os termos do acordo com o banco já se aplicavam a partir da assinatura que liberou o primeiro empréstimo (de R$ 5 milhões) ao artista. Na prática, o Opportunity já é dono dos percentuais da obra gilbertiana que negociou.
 
Os advogados do banco assumiram a defesa de João contra a EMI e afirmam que "diversas vitórias importantes nos tribunais já foram obtidas".
 
Claudia Faissol, que intermediou a assinatura desse acordo e levou 10% da parte dos direitos autorais que ficaram com o banco, tem uma visão crítica sobre a atuação do Opportunity até agora.
 
"A morosidade do processo contra a EMI em muito tem prejudicado o artista, deixando parte importante da obra em estado de desleixo e dando margem à contrafação."
 
Ela também acusa o banco de não cuidar da gestão dos direitos autorais de João Gilberto, como deveria fazer desde que levou 60% deles. Sem isso, uma fonte de renda para João segue inexplorada.
 
Em resposta, o Opportunity diz que "já investiu quantia superior a R$ 8 milhões no projeto, o que possibilitou elevar o potencial de exploração das obras", mas não detalha esse investimento.
 
AMEAÇA DE DESPEJO
 
A disputa entre seus familiares já havia feito João Gilberto desistir de pegar a segunda parcela (R$ 5 milhões) do empréstimo do banco, apesar de sua situação de "absoluta penúria financeira", como definiu a advogada de Bebel.
 
"João está enfrentando um processo de despejo, além de responder a processos por não ter comparecido a compromissos profissionais contratados por terceiros em seu nome, o que acarretou em condenações indenizatórias em valores superiores a sua baixa renda", disse Kamenetz.
 
A advogada se refere a turnê que comemoraria os 80 anos do cantor, em 2011, que chegou a ter ingressos vendidos. Como recebera adiantamentos milionários e não os devolveu, JG foi processado e perdeu.
 
"Adicionalmente, a saúde de João vem se deteriorando, sem que os cuidados necessários estivessem sendo promovidos. Por todas essas razões, Bebel não viu alternativa senão a de interditar seu pai", afirmou Kamenetz.

Fonte: Da Internet
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