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Publicado em 11/05/2017 11h26

Impopular, Hollande tem melancólico fim de trajetória no governo francês

Há cinco anos, François Hollande era ovacionado por uma multidão na Praça da Bastilha, em Paris, após o anúncio de sua vitória na eleição presidencial.

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Imagem da internet

 

PARIS - Há cinco anos, François Hollande era ovacionado por uma multidão na Praça da Bastilha, em Paris, após o anúncio de sua vitória na eleição presidencial. Neste domingo, cederá o Palácio do Eliseu a seu sucessor, Emmanuel Macron, como um dos presidentes mais impopulares da História republicana do país. Seu mandato é reconhecido pela luta antiterrorista e na reação do governo aos atentados que abalaram a França a partir de 2015, e também pela aprovação de reformas no âmbito social, como o casamento homossexual. Mas é considerado um fracasso na área econômica, principalmente na prometida redução do desemprego no país. Sua Presidência reivindicada como “normal”, foi marcada ainda por escândalos públicos em sua vida privada amorosa. Na quarta-feira, o presidente liderou seu último Conselho de Ministros e participou da derradeira cerimônia oficial, em memória da escravidão.

Em 2012, o retorno do Partido Socialista (PS) ao poder representava uma nova esperança após o contestado quinquênio do conservador Nicolas Sarkozy. Em sua campanha presidencial, Hollande colocou como prioridade de seu programa de governo a reversão da curva ascendente do desemprego.

Desde o início de seu governo até outubro de 2015, no entanto, o número de desempregados no país não parou de crescer, atingindo o pico de 3,5 milhões de franceses sem trabalho, com um índice sempre girando em torno dos 10%. Na sequência, a curva se tornou irregular, com tendência para a queda, mas voltando a subir neste início de ano. No resultado final, em comparação ao dia da posse, seu mandato registrará um aumento de mais de 500 mil desempregados. O balanço é similar em relação à sua promessa de reequilíbrio do déficit público, ao não alcançar a meta estabelecida de um índice abaixo de 3% do PIB. A seu favor, a França apresenta índices, ainda que tímidos, de recuperação econômica.Para o analista Pascal Boniface, do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Paris 8 e do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), o governo Hollande pecou no cumprimento de seus engajamentos:

— Ele fez um pouco o inverso do que prometeu, o que explica o surgimento dos frondeurs (grupo dissidente de deputados socialistas na Assembleia Nacional). Hollande acusa os parlamentares rebeldes de terem prejudicado seu mandato, e eles argumentam que só quiseram fazer respeitar as promessas da campanha eleitoral. Sobretudo, a curva do desemprego não foi revertida, e era principalmente nessa área que os franceses esperavam por Hollande.

Seu governo venceu a batalha das ruas e do Parlamento para instituir no país a lei que autoriza a união de pessoas do mesmo sexo, abrindo novos direitos para casais de gays e lésbicas. A organização em Paris da COP21, a conferência internacional sobre o clima, também entra na lista de seu balanço positivo. E sua atuação como chefe da nação na condução do país frente aos atentados terroristas foi o único quesito que fez crescer seu índice de aprovação por um curto período.

Hollande é, no entanto, o presidente com o menor índice de popularidade num final de mandato, ao redor de 20%.

Claude Pennetier, analista político do Centro Nacional de Pesquisa Social (CNRS), relativiza o julgamento do presidente, que não conseguiu reunir as condições para brigar por um segundo mandato — quando renunciou a se recandidatar, sua popularidade aumentou. Em sua opinião, nem tudo é negativo, mas mesmo o que pode ser justificado do ponto de vista político e econômico não é percebido pela opinião pública:

— Hoje, ninguém quer o apoio político de Hollande. Ele não teve uma política clara. Foi um pouco levado pelos acontecimentos. A população não sentiu uma linha diretiva. Foi um homem de equilíbrios, procurando acordos. Deu a impressão de uma certa preguiça política. Ele criou Macron e se deixou derrotar por Macron.

Por outro lado, Pennetier reserva alguns pontos positivos para o governo Hollande:

— Com Nicolas Sarkozy, rumávamos para a catástrofe na questão do ensino, da segurança e da política internacional. Hollande teve uma certa coerência nestes temas, e apresentou uma gestão mais controlada. Em seu mandato, houve o terrorismo, crises externas, mas a França não perdeu seu crédito internacional.

AVENTURA AMOROSA

Já a anunciada Presidência “normal e discreta” de Hollande entra na relação de seus insucessos. A imagem feita por um paparazzo do presidente de capacete e na garupa de uma lambreta para encontrar furtivamente sua amante, a atriz Julie Gayet, num prédio próximo do Palácio do Eliseu, ficará como uma das imagens do álbum de memórias de seu mandato. A aventura amorosa provocou uma crise com sua então companheira, Valérie Trierweiler, internada após ingerir uma grande quantidade de soníferos, e que depois escreveu o best-seller “Merci pour ce moment” (Obrigado por este momento), no qual conta os bastidores dos nove anos passados ao lado de Hollande.

Aos 62 anos, ele já começou a preparar seu futuro pós-presidencial. De imediato, passará a administrar em caráter benevolente a fundação A França se Engaja, de iniciativas de economia social e solidárias, a partir de seu novo escritório de 300 metros quadrados na Rua de Rivoli, com vista para o Jardim das Tulherias. Hollande deixa a Presidência com uma esquerda dividida e um PS em crise de identidade e em processo de perda de eleitores, mas espera que ao longo dos anos seu legado seja reconhecido, recuperando uma certa simpatia por parte dos franceses, a exemplo do que aconteceu com o ex-presidente Jacques Chirac.

Fonte: Da internet
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