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Publicado em 11/06/2015 12h32

'Verdades Secretas', a trans crucificada e outros lances da nossa guerra cultural

Depois de devastar os Estados Unidos há mais de uma década, a guerra cultural chegou ao Brasil já faz alguns anos.

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Imagem da internet

Depois de devastar os Estados Unidos há mais de uma década, a guerra cultural chegou ao Brasil já faz alguns anos. O termo se refere ao embate ideológico entre os conservadores e os liberais, que, tanto lá como cá, foi acirrado tanto pela rápida evolução dos costumes como pela ascensão das igrejas fundamentalistas.

Agora chegamos ao ponto em que praticamente toda semana há uma nova batalha eclodindo nessa disputa. A mais longa é a polêmica em torno da novela "Babilônia" (Globo). Pressionada por grupos de pesquisa —que exercem um poder muito maior do que qualquer liderança religiosa—, a emissora amenizou muitos aspectos da trama, a ponto de desfigurá-la, segundo os críticos dessas mudanças. É por isso, dizem eles, que "Babilônia" ainda patina na audiência e será encurtada, terminando em agosto.

Ainda estávamos no calor dessa peleja quando rebentou outro conflito: o comercial para o Dia dos Namorados de O Boticário. Incitados pelo pastor Silas Malafaia, milhares de fiéis deram "dislikes" na página do YouTube que exibe a propaganda. Aí veio a contrarreação: os partidários dos "likes" viraram o placar, e o clima ficou tão favorável à marca que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) declarou que Malafaia teria dado um tiro no próprio pé.

  Divulgação  
Imagens da campanha publicitária de O Boticário para o Dia dos Namorados
Imagens da campanha publicitária de O Boticário para o Dia dos Namorados

A controvérsia nem havia terminado quando surgiu outra, a bordo de um trio elétrico na Parada do Orgulho de LGBT de São Paulo. Uma atriz transexual desfilou "crucificada", seminua e coberta de sangue cenográfico. Muita gente se escandalizou, interpretando o gesto como blasfêmia e ataque ao cristianismo. Outros entenderam direitinho a mensagem que ela queria passar: transexuais e travestis são vítimas, atualmente, da mesma violência insana que Jesus sofreu em seu tempo.

Tudo isso gerou curiosidade em torno de "Verdades Secretas", a novela de Walcyr Carrasco que estreou segunda-feira (8) na Globo. Será que a trama sobre prostituição e drogas no mundo da moda, ilustrada por muitas cenas de sexo, iria despertar a ira dos reacionários?

Escaldado pelo quiproquó ao redor de "Babilônia", o canal anunciou que seu novo programa seria o que os americanos chamam de "cautionary tale": uma história que serve de alerta. "Chapeuzinho Vermelho" para adultos.

O próprio autor saiu a campo para esvaziar qualquer tentativa de boicote. "Conservadores, vejam a novela até o final e vocês vão entender que, para mostrar a luz, tem que mostrar a escuridão", declarou Carrasco à imprensa.

Por enquanto deu certo. Vasculhei as redes sociais e só encontrei gaiatos provocando os neopentecostais a se revoltarem contra a novela. Mas não há nenhuma reação negativa quanto ao conteúdo: só uma ou outra crítica à realização ou aos atores, perdidas num mar de elogios.

Talvez seja porque, até o momento, "Verdades Secretas" só mostrou sexo entre héteros, além de um gay estereotipado. Nada disso ofende a tradicional família brasileira, ainda mais se veiculado depois das 23 horas.

Walcyr Carrasco sabe lidar com esse público, envolvendo-o aos poucos. Foi o que fez em "Amor à Vida" (2013-14), quando conseguiu que quase todo o Brasil torcesse pelo beijo gay entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso). Aposto que sua novela atual também escapará do tiroteio.

Mas a guerra cultural continua: aguardemos o próximo round.

Fonte: Da internet
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