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A pandemia do novo coronavírus tem sido considerada um dos problemas de saúde pública mais sérios dessa geração. O número de casos confirmados no mundo passou de um milhão e países de diversas partes do mundo instituíram o isolamento e restrições de acesso como medidas de segurança.

Diante dessa situação a CNET conversou com o especialista em pandemias Eric Toner para compreender melhor pelo que o mundo passa nesse momento. Ele é cientista do Johns Hopkins Center for Health Security e tem mais de 30 anos de experiência em preparação hospitalar para desastres e pandemias.

Toner trabalhou durante epidemias e desastres em conjunto com governos e profissionais da saúde pública, ele diz que o novo coronavírus é único.

O começo

Casos incomuns de pneumonia começaram a aparecer, no final de 2019, em Wuhan, na China. Naquele momento, os profissionais de saúde não sabiam o que estava causando aquilo. O vírus era semelhante ao causador da SARS ou da gripe aviária. Mas era uma cepa totalmente nova e se espalhava rapidamente.

Três meses depois, o SARS-CoV-2 se espalhou pelo mundo. Países inteiros precisaram parar e houve um salto no número de pessoas doentes e de mortes. A expectativa é de que uma vacina demore pelo menos 18 meses para estar disponível. A pandemia foi declarada pela Organização Mundial da Saúde no dia 11 de março.

Com os Estados Unidos passando China, Itália e Espanha em número de infectados e a previsão dos especialistas de centenas de milhares de mortes nos Estados Unidos nos próximos meses, Toner diz que está assustado.

Ele fala que a China foi surpreendida, porque ninguém conhecia o vírus. Depois, a Itália não previu o que estava chegando e foi surpreendida também. Mas, para Toner, os Estados Unidos há meses viu o que estava chegando, portanto não pode dizer que foi pego de surpresa.

Para o especialista, uma pessoa precisa não ter noção do que está acontecendo para não estar assustada nesse momento. Ele considera que essa pandemia é pior do que o esperado e vai acabar marcando a história de forma negativa.

Nos últimos 15, pesquisadores vinham avisando que era questão de tempo ocorrer uma pandemia envolvendo uma nova doença respiratória.
A ameaça do novo coronavírus está na velocidade de disseminação e na quantidade de pessoas que ele mata. Tão contagioso quanto a influenza o novo coronavírus é muito mais letal. Toner explica que as pessoas ainda não tem imunidade contra a Covid-19, por isso muito mais pessoas serão infectadas pelo SARS-CoV-2, do que são afetadas pela influenza, que atinge entre 10% e 15% da população global anualmente.

Por isso, mesmo com baixa taxa de mortalidade, milhões de pessoas vão acabar morrendo, de acordo com o especialista. As proteínas spike no exterior do novo vírus se prendem a receptores no trato respiratório das pessoas e cria uma abertura para entrar nas células. Assim, o vírus injeta material genético nas células humanas que passam a produzir mais cópias do vírus e depois explodem.

Assim, a célula libera muito mais vírus em uma reação em cadeia, aumentando cada vez mais a quantidade de vírus e de células doentes. Toner explica que os pulmões da pessoa infectada ficam inflamados, incham e se enchem de fluido. Em casos graves as pessoas morrem porque os pulmões falham.

Há esperança

Pesquisadores e empresas de biotecnologia trabalham em ritmo sem precedente para desenvolver vacinas contra o SARS-CoV-2 a partir do código genético do vírus, para tentar simular resposta imune em pacientes não contaminados.
Também há pesquisadores analisando o sangue de pacientes que se recuperaram da Covid-19, para ver se é possível transferir sua imunidade para outros pacientes.

Embora possa demorar um ou dois anos para uma vacina ficar pronta, seria a primeira vez que temos uma vacina para uma doença infecciosa emergente. Encontrar tratamentos para a Covid-19 pode levar entre três e seis meses.

Mas com a tecnologia disponível hoje é possível produzir drogas e vacinas muito mais rápido do que antes, diz o especialista. No passado isso levava muito mais tempo.

Toner diz que como a doença não pode ser controlada, só pode ser desacelerada. Isso é essencial e requer ação. É preciso que as pessoas se unam no atendimento às intervenções que mudam dramaticamente a vida de todos. As medidas para atenuar a pressão do sistema de saúde precisam durar mais do que algumas semanas para ter efeito significativo, diz o especialista.

No momento, um terço da população global vive algum tipo de restrição. É preciso fazer isso por você mesmo e pelos outros, porque o não atendimento a essas medidas pode causar catástrofes, para muitas pessoas, inimagináveis como foi visto na Itália e na China, explica Toner. [CNET, Johns Hopkins University, BBC, Medscape, World Health Organization]

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